César Machado/ValePress Cecília, Dalvi e a filha caçula: água pura no quintal de casa
ESPECIAL Águas do Amanhã #3

Tesouro oculto sob as patas do gado

Nas terras da família Marques, em Corbélia, as nascentes deixaram de ser pisoteadas pelo rebanho e se recuperaram 12/02/2011 19:31:51 JOÃO RODRIGO MARONI

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Nascente recuperada na propriedade da família Marques, em Corbélia (Foto: César Machado/ValePress)

“Aqui tudo era pasto para a passagem do gado”, conta o agricultor Dalvi José Marques assim que chegamos a sua propriedade na Linha Garibaldi, que fica no município de Corbélia, próximo a Cascavel e dentro da bacia do Rio Piquiri. O mato agora está alto ao redor da nascente mais próxima. Sinal de que, aos poucos, a natureza vai se recuperando. “Isso aqui era uma mina perdida, não tinha água para nada”, explica Marques.

Dos 25 alqueires da propriedade, mais da metade hoje é destinada à preservação, segundo o agricultor. No restante, ele planta soja, milho, amendoin, feijão e também cria porcos. O trabalho de recuperação começou em 2008. Ao todo, existem sete nascentes nas terras da família. “Esse sítio aqui é rico em água”, orgulha-se Cecília Marques, esposa de Dalvi. Antes do processo de regeneração das minas, a produção de água diária era de 6 mil litros por hora; atualmente é de 18 mil litros/hora – três vezes mais.

Prova

Nossa reportagem experimentou a água da mina. Para quem está acostumado à água clorada ou à mineral, comumente bebidas na cidade, é quase estranho sentir o “gosto” do produto natural. Muito bom, por sinal. Antenor Mezzon, engenheiro agrônomo da Coopavel, explica que, na área, ainda falta plantar mais árvores ao redor para proteger melhor a nascente.

De acordo com o especialista, do ponto de vista ambiental, a perspectiva para a região é bastante positiva. “Mudou a visão dos produtores em relação à preservação de nascentes e da mata ciliar. Agora eles dão mais valor e tem cada vez mais gente interessada”, comenta.

Dona Cecília está feliz com a qualidade de vida que a família ganhou nos últimos anos. “O ar mudou bastante. Chega de tardezinha é bem fresquinho. E quantos bichos novos estão vindo aqui, então... passarinhos que eu não via há anos”, confessa. E imaginar que todo esse tesouro antes era simplesmente pisoteado pelo gado.