Ivonaldo Alexandre/Agência de Notícias Gazeta do Povo Formado por estudantes de várias universidades, o Ecoberrantes é prova de que a mobilização juvenil pode fazer muito barulho
ESPECIAL Águas do Amanhã #3

Se não preservar, eles vão berrar

Mobilizar a sociedade, especialmente os jovens, é o objetivo de grupo ambientalista formado por universitários 12/02/2011 20:10:21 JOÃO RODRIGO MARONI

“Quem cala, consente; por isso a gente berra!” É com este lema bem humorado que um grupo de estudantes paranaenses decidiu arregaçar as mangas e botar a boca no trombone, ou melhor, no megafone em defesa das causas ambientais. Formado no início do ano passado por universitários de diferentes cursos e instituições, o Ecoberrantes é um exemplo de que a mobilização dos jovens em prol da natureza pode fazer barulho.

Tudo começou depois de uma passeata da campanha “Os Exterminadores do Futuro”, promovida pela ONG SOS Mata Atlântica, em Curitiba. Na ocasião, cerca de 150 estudantes saíram às ruas para protestar contra a proposta de mudança do atual Código Florestal – que deve ser discutida este ano pelo Congresso. Se aprovado, o novo texto, entre outras coisas, vai permitir a redução da mata ciliar no entorno dos rios.

“A campanha acabou, mas queríamos continuar”, justifica Demian Barcellos, 20 anos, estudante de Engenharia Ambiental da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). “A gente viu que tinha uma identidade e que podia discutir outras questões ambientais”, explica Bhianca Degennaro Blanco, 19, aluna de Biologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atualmente, o grupo é formado por 12 jovens, incluindo estudantes de artes cênicas, ciências sociais, comunicação social e até do ensino médio.

Mobilização

Em relação ao interesse da juventude pela política e pelas causas ambientais, os ecoberrantes são críticos. “Tem que fazer um trabalho constante de mobilização. O jovem está acostumado a ficar quieto”, provoca Demian. “Mas em termos ambientais, o pessoal está mais antenado”, pondera Ricardo Borges, 19, aluno de Engenharia Ambiental e Engenharia Florestal da UFPR.

Para 2011, a luta dessa turma deve se concentrar ainda mais na defesa do Código Florestal, que certamente vai gerar debates acalorados em todo o país. “Queremos sair desse rótulo de ‘ecochatos’. Não somos necessariamente contra uma reforma do código”, explica Ricardo. Segundo ele, a mudança da legislação precisa ser mais bem discutida com a sociedade e ser feita com base em critérios técnicos, não políticos.

Além de continuar a promover protestos, o movimento pretende incrementar sua atuação dentro das universidades, incentivando debates e fazendo palestras para sensibilizar os jovens. E mais: já iniciaram contatos com políticos locais para tentar montar uma “bancada ambientalista” na Assembleia Legislativa do Paraná. “Queremos ter algo lá dentro para nos dar mais voz”, justifica Bhianca. “Somos politizados, mas o grupo é apartidário”, avisa Alberto Netto, 28, que cursa Zootecnia na UFPR.

Outro ponto que chama a atenção do grupo é a poluição de nossos rios, conforme explica o estudante de Engenharia Ambiental da UFPR Luiz Henrique Schaffer, 23. “A gente vê uma estação de tratamento de esgoto devolvendo ao rio um efluente com a mesma qualidade que recebeu, ao invés de melhorá-lo”, sentencia. “Tem muita coisa a ser feita”, acrescenta Alberto. E tem mesmo.

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