Aniele Nascimento/Agência de Notícias Gazeta do Povo Em Piraquara, moradores da "ecovila" posam com a Serra do Mar ao fundo. Mehorar a própria qualidade de vida e preservar a natureza motivaram a iniciativa
ESPECIAL Águas do Amanhã #3

A coletividade mostra a sua força

Com organização e boas ideias, cidadãos lideram movimentos para cobrar soluções em benefício do meio ambiente 12/02/2011 20:18:17 JOÃO RODRIGO MARONI

Saiba mais

Fórum da sociedade civil

Em 22 de março, Dia Mundial da Água, vai ocorrer o terceiro Fórum Águas do Amanhã, reunindo, em Curitiba, representantes da sociedade civil – ONGs, universidades, associações, entre outros – para promover palestras e debates em torno da preservação dos recursos hídricos.

Mais informações em breve aqui no site.

Ficar esperando passivamente a ação dos governantes há tempos deixou de ser uma opção para muitos cidadãos paranaenses. Eles descobriram na mobilização coletiva uma forma mais eficiente de exigir seus direitos e recuperar o meio ambiente, ao menos nas comunidades onde vivem. Seja com a implantação de projetos “verdes”, como um condomínio ecológico, ou insistindo com as autoridades para tentar despoluir um córrego, essa gente tem feito milagres.

Um bom exemplo é o condomínio ecologicamente correto que está surgindo na área rural de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. Não, não se trata de uma estratégia de marketing de alguma incorporadora. A ideia, na verdade, é simples. Um grupo de amigos apaixonados pela natureza resolveu comprar terrenos na mesma região, próximo às nascentes do Rio Iraizinho. Atualmente, são 22 proprietários – todos indicados pelos próprios vizinhos.

Impacto

Nas propriedades, tudo é pensado para reduzir o impacto ambiental: a maior parte da vegetação nativa é preservada; o esgoto é tratado em um sistema com raízes de plantas; a água utilizada vem de poços artesianos ou é captada da chuva; e as paredes das construções são de tijolos de solo-cimento (que não são aquecidos em fornos, portanto sem emitir gases na atmosfera); entre outras soluções. Além disso, a intenção é formar um corredor de biodiversidade até a Serra do Mar a partir das matas de cada propriedade.

“A ecovila é uma proposta de viver em harmonia com a natureza. Estamos construindo um modelo para mostrar às pessoas”, explica Jorge Grando, que há três décadas milita na causa ambientalista – ele é o criador no Paraná do Dia do Rio, comemorado em 24 de novembro. Grando conta que antigamente, naquela região, funcionava uma grande saibreira e um lixão. “Na parte mais alta já conseguimos abrir poços, na parte baixa, não. Ainda existe um passivo ambiental”, justifica o técnico em saneamento Albino Eliseu da Silva, outro condômino do lugar.

A ideia de morar em um ambiente que respeita a natureza atraiu também os empresários Gilmar Reinert e Murilo Chemin. “Deixei a maior parte da minha área preservada. Se fosse para mexer, eu ficaria onde estava”, justifica Reinert. “Aqui a qualidade de vida é totalmente diferente”, compara Chemin. Jorge Grando vai mais longe e fala em cuidar da região serrana. “Se não fizermos um cinturão de proteção, amanhã ou depois teremos casinhas lá e vamos noticiar desabamentos como ocorreu no Rio de Janeiro”, adverte.

ONGs

Jorge Grando e o educador ambiental Irineu Nogueira, que também mora na ecovila, são integrantes da Associação Paranaense de Preservação Ambiental do Rio Iguaçu e Serra do Mar (APPAM), uma organização sem fins lucrativos que ajuda a implementar ideias ecológicas na região, como um projeto socioambiental para transformar o vime em fonte de renda para moradores de áreas como o Guarituba, em Piraquara.

“O trabalho ambiental você não vê, sente”, pontua Nogueira. Segundo ele, o desafio do terceiro setor, de modo geral, é disseminar projetos sem ficar fazendo autopromoção e melhorar o diálogo entre as instituições. “Existe um certo distanciamento entre as ONGs. É raro você ter um encontro para trocar ideias”, lamenta.