Priscila Forone/Agência de Notícias Gazeta do Povo O reservatório da Repar no Rio Verde, em Araucária, virou um grande laboratório a céu aberto
ESPECIAL Águas do Amanhã #3

Verde que te quero "verde"

De olho na conservação de um dos principais mananciais do Alto Iguaçu, projeto aproxima a pesquisa científica da comunidade 12/02/2011 20:36:04 JOÃO RODRIGO MARONI

Uma revolução silenciosa está ocorrendo ao longo da bacia do Rio Verde, um dos principais mananciais da Grande Curitiba. Há pouco mais de dois anos, um estudo interdisciplinar que envolve instituições governamentais, pesquisadores de diversas áreas e a comunidade local vem elaborando um amplo diagnóstico das condições socioambientais da região, mapeando problemas, antecipando dificuldades e sugerindo soluções para conservar o potencial hídrico e econômico da área. Se for abraçada pelo poder público e pela sociedade, a iniciativa tem potencial para gerar renda sem comprometer a natureza, transformando-se em um modelo de gestão a ser replicado.

A ideia nasceu de um pedido da Petrobras, que contratou a Universidade Federal do Paraná (UFPR) para elaborar o estudo. Geradora de passivos ambientais, a estatal – que utiliza a água do Verde na Refinaria Presidente Vargas (Repar), em Araucária – queria saber as condições da bacia, agindo preventivamente para garantir a demanda futura de seu reservatório, que já teve problemas com o afloramento de algas, em 2005, por causa da poluição. Como também utiliza o manancial para abastecimento público, inclusive com previsão de ampliar a captação, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) virou parceira do projeto.

Risco

O risco de degradação da água e a diminuição da disponibilidade hídrica da bacia são fatores que preocupam. “Isso implicaria em custos adicionais para buscar água em outros mananciais. Fora isso, significaria uma pior qualidade de vida e o empobrecimento da fauna e da flora”, explica o engenheiro ambiental Eduardo Gobbi, coordenador do projeto e professor da UFPR. Segundo ele, a pesquisa tem gerado informações técnicas importantes e o trabalho em parceria das instituições é promissor. Isso sem falar do envolvimento direto da universidade – um dos principais atores da sociedade civil – na empreitada. “A academia, por respeitar o livre pensar e por formar profissionais, é um local privilegiado para auxiliar a sociedade a melhorar sua relação com o meio ambiente”, avalia Gobbi.

Mudar a mentalidade de quem vive na região da bacia, situada dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Verde, é um dos grandes desafios. Até porque, muitos moradores de Campo Largo, Campo Magro e Araucária – municípios drenados pelo Verde – ainda não desenvolveram uma relação de identidade e responsabilidade com o meio em que vivem. A opinião é da pedagoga e educadora socioambiental Maria Luiza Wiederkehr, que conduziu uma pesquisa junto às comunidades locais. Entre as perguntas estava: “Quem você considera responsável pelo estado do rio?”. Para 62% dos entrevistados, a culpa é dos governantes. Apenas 7% assumiram a culpa. “Parece-me que este é o ponto principal de desenvolvimento de uma ação de educação socioambiental”, avalia a pesquisadora. Para ela, ações nesse sentido ainda são tímidas na região.

Segundo Wiederkehr, para melhorar as condições da bacia seria preciso que a Sanepar agisse mais firmemente na preservação dos mananciais, conforme obriga a legislação, e que a questão ambiental estivesse associada à sustentabilidade econômica. “Todos precisam ver ganhos e benefícios em preservar”, conclui.