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Eficiência
A eficiência no processo produtivo só pode ser alcançada quando se pensa a questão ambiental como ferramenta de gestão, de acordo com Adilson Souza. Porém, segundo o especialista, empresas com esse foco esbarram na burocracia dos órgãos fiscalizadores, que também têm seus problemas, tais como equipes reduzidas e falta de capacitação técnica.
O uso inadequado dos recursos hídricos por setores como indústria, comércio e serviços tem sido motivo de preocupação para os especialistas. O gasto excessivo de água e o lançamento de efluentes, sem tratamento, diretamente nos rios ou nas galerias pluviais são os principais passivos ambientais gerados por essas atividades.
De acordo com o engenheiro civil Bruno Veiga, sócio da RDR Consultores Associados e especialista no uso e conservação da água, o resultado desse processo é a escassez cada vez maior dos recursos. “Devemos usar melhor a água, que tem um grande valor agregado, e procurar minimizar o impacto no seu retorno ao meio ambiente”, resume. Para ele, nunca se atribuiu à água o seu devido valor econômico. “A tendência mostra que ela será cada vez mais cara e esse custo será incorporado no processo produtivo a ponto de gerar uma real conscientização”, analisa.
Zoneamento
A instalação de indústrias em áreas ambientalmente protegidas também gera impacto na natureza, conforme alerta o diretor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Hardt. “Todos os municípios têm que ter obrigatoriamente um plano diretor. No Paraná, dos 399 municípios, 385 já concluíram ou estão em processo de concluir o seu”, revela. Dentro desse planejamento, continua ele, existe a Lei de Zoneamento do Uso e Ocupação do Solo, que determina onde a atividade produtiva deve se fixar. “Imaginando que esse zoneamento seja tecnicamente bem feito, na hora em que esse empresário for se instalar, ele vai saber quais as condições ideais para não causar problemas, principalmente aos recursos hídricos”, explica.
O problema, segundo Hardt, é que muitos empresários não têm consciência da importância do zoneamento adequado e se instalame em locais inapropriados. Outra dificuldade, segundo ele, é a tolerância com os pequenos empreendimentos, cujo impacto teoricamente é baixo. No entanto, quando combinados, o efeito deles é perceptível.
Para o engenheiro químico Marco Tadeu Grassi, professor do departamento de química da Universidade Federal do Paraná (UFPR), embora o Brasil tenha uma legislação ambiental ampla e aparentemente avançada, existem falhas no papel do estado na fiscalização e na promoção de uma política pública de preservação dos rios. “Como consequência, o setor produtivo limita-se a cumprir a legislação, quando fiscalizado, deixando de contribuir para o aprimoramento das leis e o uso efetivamente mais sustentável da água”, observa.
De acordo com o engenheiro, o mercado mundial introduz cerca de mil novos compostos químicos a cada ano, em novos produtos e processos. No entanto, a lei brasileira sobre potabilidade da água relaciona pouco mais de 40 compostos. “Como o estado é completamente omisso, os setores deixam de contribuir na busca de maior conhecimento quanto ao potencial tóxico destes novos agentes químicos”, finaliza.
