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Dejetos viram problema na pecuária
A destinação inadequada dos dejetos dos animais se tornou um dos grandes passivos ambientais gerados pela pecuária, conforme explica o engenheiro agrônomo Luiz Antonio Lucchesi. “A suinocultura vem sendo considerada no Brasil como atividade com grande potencial poluidor, constituindo-se em fonte pontual e difusa de poluição das águas”, analisa.
Segundo ele, o desafio é destinar os dejetos no meio rural de forma economicamente viável e ambientalmente sustentável. Neste contexto, eficiência operacional e políticas de apoio a essas culturas representam a garantia da sustentabilidade para o setor.
No entanto, para Gilson Martins, advogado e engenheiro florestal da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o Brasil não incentiva práticas sustentáveis nas pequenas propriedades rurais – como, por exemplo, a instalação de biodigestores, que poderiam reutilizar as fezes dos animais para a produção de gás ou energia. Atualmente, essa tecnologia só é viável em grandes escalas.
Em relação ao uso de fertilizantes, Martins explica que hoje há tecnologias disponíveis (como a dos inoculantes) para captar o nitrogênio da atmosfera, diminuindo a necessidade de se usar fertilizantes. (BT)
De acordo com o engenheiro agrônomo Silvio Krinski, coordenador do Fórum de Meio Ambiente da Ocepar, o Paraná tem um perfil diferente do resto do país em se tratando do consumo de água. “No estado, nas regiões de clima mais temperado, a água utilizada vem da natureza e não depende tanto da irrigação”, esclarece. Além disso, segundo o especialista, os sistemas de irrigação variam conforme o tipo de cultura. A irrigação por gotejamento, por exemplo, é ideal na hortifruticultura, mas inviável no cultivo de soja (e o Paraná é o segundo maior produtor da oleaginosa do Brasil). Já o sistema de irrigação por canhão d’água é recomendado para grandes produções. Do contrário, o desperdício seria grande.
Para Carlos Augusto Albuquerque, advogado e assessor da presidência da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), não é justo onerar somente os agricultores pela preservação da natureza. “No passado, o produtor foi incentivado a tirar o mato para plantar e hoje teve de recompor muitas dessas áreas. Mesmo assim, não se dá o devido valor ao serviço ambiental que ele presta à sociedade”, queixa-se.
Em relação aos agrotóxicos, Albuquerque acredita que o problema deve ser analisado de outro ponto de vista. Segundo o advogado, os produtores têm recebido treinamento para manejar corretamente os produtos. “Temos um programa estabelecido de recolhimento de embalagens vazias, em que 98% das embalagens compradas têm um retorno para os centros de triagem. O Paraná é líder neste programa”, destaca.
Tecnologia
Para evitar a erosão e a contaminação dos rios, a solução tem sido o plantio direto. Nesse sistema, usa-se o glifosato, um agrotóxico que de menor impacto, segundo Albuquerque. De qualquer forma, ele diz ser impossível manter a produção no campo hoje sem utilizar químicos. “O Paraná é o maior produtor brasileiro de grãos e necessitamos dessa tecnologia. Ou você usa agrotóxicos e fertilizantes ou não vence a produção. O produtor não quer poluir. Nossa atividade depende da natureza”, argumenta.
De acordo com Gilson Martins, da Ocepar, a legislação ambiental muitas vezes é outro fator complicador. “Há muitas leis e algumas são impraticáveis. Se você tomá-las ao pé da letra, torna a produção agrícola no Brasil inviável”, destaca. Para Carlos Albuquerque, o atual Código Florestal é um exemplo disso. “Para cada olho d’água você tem que ter um raio de proteção de 50 metros. É um campo de futebol para um olho d’água do tamanho de uma bola”, compara. Mas os entraves não param por aí, diz ele. “Temos ainda a Reserva Legal, que subtrai mais 20% da área dos produtores”, reclama. Na opinião do especialista, as restrições tornam inviável a produção em um estado em que o tamanho médio das propriedades não chega a 50 hectares e onde 40% das áreas são de preservação.
