ESPECIAL Águas do Amanhã #2

Trabalho em parceria vira aprendizado para entidades governamentais

Obra no Guarituba, em Piraquara, é exemplo de esforço conjunto. Ação, que deveria ser frequente, envolve logística complicada 19/09/2010 17:09:22 JOÃO RODRIGO MARONI

Cohapar, IAP, Instituto das Águas do Paraná, Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano, Mineropar, Prefeitura de Piraquara, Sanepar, Copel, Ministério Público do Paraná, Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e Caixa Econômica Federal são só alguns dos vários parceiros da força-tarefa criada para tocar as obras do PAC no Guarituba. Mutirão semelhante acontece nos assentamentos de Campo Magro e de outros municípios da RMC.

Apesar de parecer uma solução óbvia e lógica, essa atuação conjunta dos órgãos governamentais não costuma ser frequente. Até porque, esta é uma missão difícil de ser levada a cabo. De acordo com Everaldo Moreno, presidente da Cohapar, apenas 12% do PAC Guarituba está concluído. “Está longe de ser adequado, mas tivemos uma série de dificuldades, inclusive com licenças ambientais, além da própria complexidade do projeto”, justifica.

Em projetos dessa envergadura, estourar o orçamento original é regra, principalmente por causa de imprevistos e entraves ambientais e burocráticos. “Numa região como aquela, plana, com solo ruim, o custo da drenagem é 50% mais caro que em regiões com topografia mais acentuada. Agora imagina a pavimentação. Você tem que tirar dois metros de turfa e colocar um material importado”, explica o engenheiro civil Carlos Alberto Galerani, do Instituto das Águas do Paraná.

Ele lembra outro complicador. Além das instituições de governo, no canteiro de obras estão outras empresas prestadoras de serviço. “Se você não tem planejamento, um tromba no outro. E não e fácil de compatibilizar tudo isso. Até porque, às vezes, as licitações demoram e um fica esperando pelo outro”, comenta.

Segundo o gerente geral da Sanepar para a RMC, Antonio Carlos Gerardi, somente a empresa vai investir quase R$ 13 milhões no Guarituba. As dificuldades técnicas são grandes. “Fizemos a parte do coletor tronco de 12 quilômetros (para levar o esgoto) e tivemos que passar por dentro dele não só o coletor do Guarituba, mas também de todo o esgoto de Piraquara, que agora é tratado em Curitiba”, revela.

Economia

Ainda assim, segundo o coordenador de Recursos Hídricos da Sema, José Luiz Scroccaro, obras em parceria são mais econômicas. “Você não vai fechar uma vala para depois abrir de novo”, exemplifica. Além disso, diz ele, um mutirão desses tem mais força inclusive para conseguir mais recursos.

Superar tantos entraves burocráticos, ambientais e técnicos tem sido um desafio. “A maior dificuldade não é a parceria em si, mas fazer com que todos caminhem nas regras. Nem o município, nem o estado e nem o governo federal são capazes de fazer tudo sozinhos. É preciso superar vaidades e a paternidade dos projetos”, destaca o prefeito de Piraquara, Gabriel Jorge Samaha. Para ele, o PAC Guarituba representa uma solução não só para o município. “Estamos garantindo que Curitiba e região metropolitana continuem a receber água limpa”, finaliza.