Priscila Forone/Agência de Notícias Gazeta do Povo No Jardim Boa Vista, em Campo Magro, um condomínio inteiro foi erguido, com direito a água, esgoto, luz e antipó
ESPECIAL Águas do Amanhã #2

Sonho da casa própria vira realidade no Jardim Boa Vista

Em Campo Magro, moradores que mudaram de áreas de invasão para bairro planejado agora constroem jardins, erguem paredes e planejam uma nova vida 19/09/2010 17:18:37 JOÃO RODRIGO MARONI

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Maria, João e a pequena Camile: reformas e muitos projetos (Foto: Priscila Forone/Agência de Notícias Gazeta do Povo)
Dona Carolina demorou a se acostumar com a casa pequena (Foto: Priscila Forone/Agência de Notícias Gazeta do Povo)
Reginalda e a filha, Andressa, diante da nova residência (Foto: Priscila Forone/Agência de Notícias Gazeta do Povo)
Seu João e dona Maria ainda não sabem como vão pagar as prestações da casa nova (Foto: Priscila Forone/Agência de Notícias Gazeta do Povo)
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Cerca de 500 famílias vão ser beneficiadas

Ao todo, 492 famílias vão ser beneficiadas com o PAC de Campo Magro. Destas, 388 vão mudar para casas novas. O projeto prevê ainda a construção de cinco parques para evitar novas invasões na beira dos rios Passaúna e Bambeca.

A primeira impressão ao desembarcar no Jardim Boa Vista, em Campo Magro, na região metropolitana de Curitiba, é de estar no filme Edward Mãos de Tesoura (1990), do diretor norte-americano Tim Burton. As casas coloridas, milimetricamente alinhadas e sem muros justificam a comparação. Tudo ali é novo, inclusive os moradores.

A obra integra o PAC Campo Magro, que, assim como no Guarituba, em Piraquara, prevê a realocação de famílias para áreas regularizadas e com infraestrutura completa. Em Campo Magro, das 492 famílias contempladas pelo projeto, 388 vão receber casas novas – 181 já foram entregues. Os investimentos somam R$ 13 milhões.

Das 89 residências a serem entregues no Jardim Boa Vista, uma é da família de Reginalda da Silva Fernandes (foto 3, ao lado), 35 anos. Ela, o marido e dois filhos se mudaram há três meses. “Não gosto de foto, ainda mais com o cabelo desarrumado”, avisa a garçonete. A decoração da sala, com cores fortes, piso novo e grafiato nas paredes revelam que o lugar já ganhou o toque pessoal da dona. A antiga casa de Reginalda estava rachando e corria risco de desabar. “Era de madeira, cheia de cupim. Você limpava e não via a limpeza”, conta. A casa nova é menor (40 m², padrão da Cohapar), por isso ela quer ampliar. “Estou tão feliz de estar aqui”, emociona-se.

Estranheza

Quem estranhou um pouco a nova moradia foi Carolina Santos de Jesus, 64 (foto 2). “Agora tá jóia. No começo demorei pra me acostumar”, entrega a aposentada, que vive com os filhos e um neto. A antiga residência era maior, mas ficava às margens do Rio Passaúna. Os alagamentos eram frequentes. Agora, a meta de Carolina é ajeitar o jardim, construir um muro e aumentar a casa. “Tenho neto e até bisneto. Nos domingos fica cheio aqui”, confessa.

João Leocádio Preste (foto 4), 53, que mora em frente de dona Carolina, está dando uma mãozinha nas obras da vizinha. Desempregado, ainda não sabe como vai pagar os R$ 63 de mensalidade da nova casa, que divide com a esposa Maria Aparecida de Melo, 52, e o gato Tigrinho. João nos mostra os móveis desgastados pelas enchentes constantes que castigavam a antiga residência. “Pra gente está bom”, resume, sobre a casa nova. A única queixa é com a baderna no bairro nos fins de semana. “Aqui não tem policiamento”, reclama.

Para outro casal João e Maria nos arredores, porém, a vida nova não poderia estar melhor. João Antero de Oliveira (foto 1), 47, Maria Aparecida de Lima, 55, e a filha adotiva deles, Camile, 4, haviam se mudado no dia anterior à nossa visita. “Agora que estamos colocando os armários. A emoção é grande demais”, empolga-se Maria. “A gente morava em cima do rio”, conta João. A casa velha já havia sido invadida duas vezes pela água. Assim que puder, o casal quer fazer uma edícula nos fundos. Dona Maria, inclusive, quer cozinhar para fora. “Minha vontade é mexer com pão, doces. Sou cozinheira de mão cheia. E não é para me gabar, viu!”