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Para quem carregava – literalmente – nos braços a economia do sul do estado as lembranças dos tempos da navegação no Iguaçu nem sempre são boas. “Às vezes eu me lembro, mas era um serviço muito duro”, desabafa Ciro Ribas, 86 anos, ex-maquinista do vapor Tibagi. Até hoje ele não esquecer como era árdua sua rotina: “No máximo uma semana de descanso por ano.”
“Foi sem dúvida um dos momentos mais gloriosos de nosso estado. Essas pessoas humildes foram heróis e transformaram a angustiante rotina da vida em desafios. Elas não aparecem hoje em nomes de rua”, emociona-se Arnoldo Bach, para quem o suor dos marinheiros do rio fecundou a história do sul do Paraná.
Falando com orgulho dos filhos, dos netos, do sítio e da aposentadoria que conseguiu na empresa em que trabalhou, os olhos de Octávio Melo brilham: “Construí uma família no rio, trabalhando”, orgulha-se. Ciro, por sua vez, assim como fizeram muitos funcionários dos vapores da época, parou assim que pôde. Casou em 1949 e foi morar com a esposa em um sítio. Na mesma época, novas estradas começavam a ligar diretamente Curitiba aos locais de produção de madeira e erva-mate. Um transporte mais rápido e barato – que tornou os vapores obsoletos.
Sem ter o que transportar, o Lloyd Paranaense fechou as portas em 1953. Pouco depois, o vapor Leão foi completamente desmontado e enviado para outro rio. Destino similar ao de muitas embarcações. Em Porto Amazonas, as panificadoras fecharam e o camarote de um dos vapores chegou a virar casa. Com o tempo, muitos povoados à beira do rio desapareceram.
Hoje há apenas dois vapores nas margens do Iguaçu: O Pery, reconstruído em São Mateus do Sul; e o Tibagi, que há 50 anos se desprendeu em uma enchente e encalhou em meio a árvores. O vapor, que por cinco anos serviu como casa e trabalho para Ciro Ribas, foi retirado da mata e está hoje no cais de Porto Amazonas. Há planos de reconstruí-lo.
