Saiba mais
A poluição de mananciais e, consequentemente a maior dificuldade para se abastecer as população não é uma exclusividade de Curitiba. De acordo com a engenheira civil Elizabeth Juliatto, especialista em Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas (ANA), a situação se repete pelo Brasil. Porém, cada cidade tem sua particularidade. “Algumas regiões metropolitanas se situam em regiões litorâneas. Nessas áreas você tem rios de pequeno porte e o esgoto não tem diluição. Em outros casos, como São Paulo, Brasília e Curitiba, as cidades são localizadas próximas das nascentes. E a existência de pessoas em cima delas prejudica. Aí tem buscar água de locais distantes, o que encarece o processo – não só pelo investimento das obras, mas também pelo custo da operação”, analisa.
Para a especialista, a maior dificuldade na resolução desses problemas é a falta de soluções técnicas adequadas. “Às vezes, existe recurso financeiro, mas não existe projeto. Claro que a questão da poluição é complexa, existem fatores educacionais, culturais, políticos, econômicos e técnicos, sem falar da falta de planejamento”, comenta. Outro problema, segundo ela, é resolver permanentemente a questão das ocupações irregulares, principalmente nas margens de rios e áreas de mananciais. “É como enxugar gelo. Você resolve a situação em um lugar e já tem outra população assentada em outro lugar. Quando esse processo se estabilizar, teremos mais sucesso”, afirma.
Abastecimento
Atualmente, Curitiba e região são abastecidas pelos seguintes sitemas de barragens e de captação de água: Iguaçu (36%), Iraí (24%), Passaúna (24%) e Miringuava (9%), que fornecem juntos 7,4 mil litros por segundo, em média, de acordo com a Sanepar. Outros 900 litros por segundo são captados por outras unidades do Saic (Sistema de Abastecimento de Água Integrado de Curitiba). Alguns investimentos estão previstos para aumentar a oferta nos próximos anos. Entre esses projetos está a construção da barragem do Miringuava, que passaria dos atuais 700 litros por segundo para 2 mil litros por segundo.
Há também outras fontes de água que ainda podem ser explorados no futuro, como o Rio Pequeno, o Rio Verde, entre outras. A ANA prevê uma demanda de mais de 5 mil litros por segundo para a RMC para 2015, o que tornaria a situação preocupante. “Os dados da ANA estão desatualizados. As estações de tratamento de água da Sanepar para atender os 11 municípios da região metropolitana têm capacidade para produzir 10 mil litros de água por segundo. Atualmente, são produzidos 8,5 mil litros por segundo (demanda média hoje). Portanto a folga do sistema produtor está acima de 15% da demanda”, explica o presidente da companhia, Stênio Jacob.
