Albari Rosa/Agência de Notícias Gazeta do Povo Espuma causada pela poluição no Rio Iguaçu, em trecho próximo à BR-277, em Curitiba
ESPECIAL Águas do Amanhã #1

"Parece que não temos problemas na bacia do Iguaçu. Não é bem assim"

Engenheiro civil que coordenou o Plano Estadual de Recursos Hídricos do Paraná, Carlos Eduardo Curi Gallego indica as principais demandas da bacia do Alto Iguaçu 30/05/2010 19:40:39 CARLOS EDUARDO CURI GALLEGO

Por sua posição geográfica e extensão territorial, o Paraná é privilegiado do ponto de vista dos recursos hídricos. Temos uma disponibilidade hídrica superficial de 3,6 mil m3 de água por ano para cada habitante, e nossos aquíferos subterrâneos podem fornecer volumes anuais da ordem de 6,6 mil m3 por habitante. Detalhe: as atuais demandas da água chegam apenas a 160 m3 anuais por habitante. Pode-se imaginar, com base nestes dados, que água não é problema. Não é bem assim.

O Paraná é dividido em dezesseis grandes bacias hidrográficas, que apresentam situações diferenciadas. Mesmo sendo um estado com uma base agrícola forte, nossas principais culturas geram pouco impacto na questão da água. Os principais problemas estão principalmente nas médias e grandes cidades.

A região de Curitiba é o caso mais complexo, pois se desenvolveu nas cabeceiras do principal rio do estado, o Iguaçu, e hoje se espalha pela bacia do Alto Iguaçu, avançando até as bacias de afluentes do Alto Ribeira, mais ao Norte. Nessa área, o principal problema é a disponibilidade hídrica (cerca de 471 m3 por habitante/ano). No entanto, a ONU recomenda um volume anual de 1,5 mil m3 por habitante – quase três vezes mais. As atuais demandas chegam a 106 m3 por habitante/ano, e, se consideramos a água necessária para diluir os esgotos, despejos industriais e escoamento superficial, essa relação fica ainda pior.

A solução para esta equação depende, basicamente, de duas ações: buscar novas fontes de água, mais distantes, implicando em obras de infraestrutura e sistemas de transporte de água cada vez mais caros, e reduzir as demandas – seja por meio de ações de gestão que baixem o consumo e evitem o desperdício, ou então através da redução dos volumes de despejos. Esta ação, porém, envolve infraestrutura de tratamento e a conscientização e mobilização da sociedade.

Para dar conta desses problemas, contamos hoje com um amplo conjunto de estudos e ações técnicas e institucionais. Somando-se a isso, é de fundamental importância contar com projetos que atinjam os usuários de recursos hídricos. É o caso do Águas do Amanhã, que irá criar e manter canais de comunicação mais diretos com a sociedade, permitindo inclusive que as ações técnicas tenham maior chance de sucesso.