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Entre as inúmeras riquezas naturais do Paraná, o Rio Iguaçu é, de longe, a mais bela de todas. Desde os tempos dos índios tupi-guaranis – Iguaçu, aliás, quer dizer “água grande” em guarani – até os dias atuais, este curso fluvial continua sendo o maior e mais importante do estado. Um rio que gera energia, irriga pastagens e plantações e é fonte de água para importantes cidades. Como se não bastasse, ainda nos presenteia com um dos mais belos cartões postais do planeta: as Cataratas do Iguaçu.
Mas quem vê a imagem das monumentais quedas talvez nem imagine que o Iguaçu tem problemas seriíssimos na sua outra ponta. Na região de Curitiba, onde ficam as nascentes – área conhecida como bacia do Alto Iguaçu e de onde vem a maior parte da água que abastece a capital – o rio está praticamente morto em alguns trechos. O forte cheiro, o lixo nas margens e a cor escura da água seriam indícios suficientes. Porém, a maioria dos cidadãos parece ignorar o grave dano ambiental, que vem piorando com o passar dos anos e já compromete nossos mananciais.
Panorama
Mudar esse panorama não é tarefa fácil, pois envolve uma discussão profunda e, principalmente, a participação de toda a sociedade. É justamente nesse contexto que surge o Águas do Amanhã, um programa de ações audacioso encampado pelo Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCom), através do Lupaluna Ambiental, com o apoio técnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e patrocínio do HSBC. O objetivo dessa iniciativa – baseada nos pilares técnico-científico, relações institucionais, comunicação e educação – é informar, sensibilizar, conscientizar e instigar os paranaenses em prol de uma agenda comum de conservação da biodiversidade, tendo como foco central a gestão e utilização responsável dos recursos hídricos, sobretudo em relação à melhoria da qualidade da água na bacia do Alto Iguaçu.
Ao longo da primeira fase, que deve durar cerca de 1 ano, o projeto apresentará inúmeras iniciativas. Entre elas, uma sequência de quatro fóruns especiais, que reunirão – por temas específicos – representantes de toda a sociedade. O primeiro fórum (em julho) debaterá com o poder público as principais dificuldades do setor e as possíveis soluções de gestão dos recursos hídricos. Da mesma forma funcionarão os demais encontros temáticos: o do setor produtivo (em fevereiro de 2011), o da sociedade civil (em março do ano que vem, e um quarto e último fórum, em maio de 2011, reunindo todos os setores.
“Precisamos trabalhar agora pensando nas futuras gerações. Mas sem demagogia. Por isso existem esses fóruns, para extrairmos informações e transformá-las num plano de metas a ser trabalhado por todos os setores da sociedade”, explica o biólogo José Roberto Borghetti, consultor da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e membro do conselho técnico do Águas do Amanhã.
Missão
“Temos como missão desenvolver, com a comunicação, o estado do Paraná e os cidadãos que aqui vivem. Cuidar do nosso meio ambiente cabe perfeitamente neste propósito, pois hoje não podemos falar em desenvolvimento se não estivermos genuinamente preocupados com a sustentabilidade, com a preservação e exploração racional de nossos recursos naturais. Olhando por este aspecto, o projeto se preocupa com um rio que é emblemático para nós, um rio paranaense, que cruza o estado de Leste a Oeste e desemboca em uma das maiores maravilhas da natureza”, justifica o vice-presidente do GRPCom Mariano Lemanski.
Numa segunda etapa, o projeto – que tem também o apoio da FAO, da Fundação Roberto Marinho e da Agência Nacional de Águas (ANA) – pretende gerar um material didático a partir dos fóruns e, com isso, trabalhar a questão da educação ambiental e a preservação das águas junto a escolas, empresas, municípios e sociedade em geral. “Na medida em que os atores sociais e a população entenderem que isso é importante, é óbvio que os políticos e as instituições vão correr atrás para resolver o problema. Do ponto de vista estritamente técnico, a gente sabe o que fazer. Só falta a grana e a articulação interinstitucional, o que não é fácil”, pondera o engenheiro ambiental Eduardo Gobbi, coordenador técnico do Águas do Amanhã.
O desafio está lançado.
