Valterci Santos/Agência de Notícias Gazeta do Povo O Salão de Atos do Parque Barigui ficou lotado. Ao longo do dia, cerca de 700 pessoas passaram por ali
EVENTO

Fórum dá voz às ONGs

Veja os principais momentos do encontro com representantes da sociedade civil, que cobraram soluções para a bacia do Alto Iguaçu 23/03/2011 19:57:58 JOÃO RODRIGO MARONI

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O Ecoberrantes protestou pediu um debate mais amplo sobre o Código Florestal (Foto: Valterci Santos/AGP)
Estefano Ulandowki, do Instituto Eko, aprovou a recuperação do Rio Uvu (Foto: Valterci Santos/AGP)
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Nos bastidores

Se as palestras e debates do fórum mantiveram o salão cheio, do lado de fora, nos bastidores, os participantes puderam trocar muitas figurinhas. “Havia mais de um ano que não trocava ideias com algumas pessoas. Isso aumenta o nível do debate”, diz Luiz Tadeu Seidel Bernardina, líder do movimento Amigos do Rio Bacacheri (Amiriba), apontando alguns conhecidos ao redor.

Porém, Seidel achou que o tempo de debate e para as instituições falarem poderia ser maior. Aproveitou ainda para reclamar da situação de seu querido Rio Bacacheri. “A manutenção da Sanepar está péssima. O esgoto está a mais de um ano jorrando em um trecho no bairro Boa Vista”, revela.

Ari Becker, membro da Associação dos Moradores e Amigos do Parque Barigui (AMAParque), elogiou a oportunidade dada pelo fórum para as ONGs se manifestarem, mas viu com descrença o discurso das autoridades presentes. “Espero que melhore alguma coisa. Agora parece que tem dinheiro”, cutucou, referindo-se aos investimentos prometidos pelo poder público – quase R$ 20 milhões somente para a construção de dois parques na bacia do Rio Barigui. “O pessoal que assume cargos de primeiro escalão não costuma ter um grande comprometimento. Estão ali para ficar quatro anos. E quem entra agora (no governo) não sabe nem que língua estamos falando”, critica.

Quem ficou animado com os projetos para a bacia do Uvu foi Estefano Ulandowski, do Instituto Eko. Ele e outros cidadãos ligados a várias instituições há anos batalham pela despoluição dos rios da bacia do Barigui. “Fizemos um mapeamento da bacia do Uvu. No ponto onde ele recebe as águas do Rio Cascatinha, quando tem muita chuva, alaga tudo”, revela. Por isso, Ulandowski aproveitou o evento para reforçar o pedido ao prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, para que se crie um parque nas imediações da Via Vêneto, no bairro São João. “Existe uma área de fundo de vale ali que daria para fazer um parque com um lago de contenção. Isso regularizaria a vazão do Barigui”, explica.

“Nos outros fóruns não tivemos o nível de debate que tivemos aqui”, resumiu Antonio Ostrensky, coordenador técnico do Águas do Amanhã, ao encerrar o terceiro encontro promovido pelo Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCom) e que foi realizado ontem (22/03) no Salão de Atos do Parque Barigui. O evento integrou a programação do Dia Mundial da Água, em Curitiba, e reuniu representantes da sociedade civil – em especial ONGs, associações, movimentos e demais entidades ligadas ao meio ambiente – para debater problemas e soluções para a bacia hidrográfica do Alto Iguaçu.

Ao longo de todo o dia, cerca de 700 pessoas prestigiaram o evento. Na parte da manhã, diversas autoridades nacionais, estaduais e locais se pronunciaram sobre o tema central do Dia Mundial da Água deste ano – “Água para as cidades: respondendo ao desafio urbano”. Uma apresentação rápida do cantor Guilherme Arantes, que tocou um de seus maiores sucessos, “Planeta Água”, também marcou o evento.

Uvu

A prefeitura de Curitiba, por sua vez, aproveitou a ocasião para lançar os projetos de despoluição dos rios Uvu e Belém (trecho Norte), anunciando obras e ações de fiscalização em parceria com a Sanepar e entidades da sociedade civil nas áreas de abrangência dos dois rios. Serão investidos R$ 11,4 milhões.

Na parte da tarde, a partir das 14 horas, iniciou-se o Fórum Águas do Amanhã, com uma plateia formada por pessoas ligadas a movimentos ambientais, estudantes, profissionais e demais cidadãos interessados no tema. Muitas caras jovens foram vistas no salão, mostrando que a água é um assunto de interesse dos mais jovens.

Um exemplo é a turma do Ecoberrantes, movimento formado por alunos de várias universidades paranaenses que lutam, entre outras coisas, pela manutenção do Código Florestal Brasileiro. “Um dos principais motivos de estarmos aqui é porque as alterações no Código (propostas ao Congresso através de um pré-projeto do deputado Aldo Rebelo) têm a ver com os recursos hídricos. Temos que mostrar que essa discussão é mais abrangente”, justifica Ricardo Borges, que cursa Engenharia Ambiental e Engenharia Florestal.

Eles trouxeram faixas, vestiram camisetas, fizeram perguntas e opinaram durante o fórum. “Em outros eventos, as pessoas nem sempre estão dispostas a nos ouvir. Aqui não foi assim”, avalia a estudante de Biologia Bhianca Degennaro Blanco. Para Alberto Netto, estudante de Zootecnia, o evento serviu para fazer contatos. O grupo até recebeu convites para futuras parcerias. “Conversamos com um pessoal que preserva bacias hidrográficas, outros que lidam com turismo... A gente percebe que a preocupação com os recursos hídricos é geral”, conclui.