Jonathan Campos/Agência de Notícias Gazeta do Povo Diogo Hungria e Patrícia de Lima, da UFPR, analisam a água no reservatório da usina de Segredo, em Mangueirinha
NA ESTRADA

Uma semana de viagem pelo Iguaçu

Expedição percorre 2,3 mil quilômetros ao longo do maior rio do estado, revelando contrastes e medindo a qualidade da água 30/04/2011 04:24:53 JOÃO RODRIGO MARONI

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Onze profissionais participaram da expedição pelo Rio Iguaçu. Foto: Jonathan Campos/AGP

Expedicionários

Uma equipe de 11 profissionais, entre jornalistas, técnicos e guias registrou em textos, imagens e sons a realidade do Rio Iguaçu.

No teto da van: Jonathan Campos (repórter fotográfico/Gazeta do Povo); Diogo Hungria (biólogo/UFPR); Anderson Marcelino (auxiliar técnico/RPC TV); Malu Mazza (repórter/RPC TV); e Moacir da Silva (motorista/RPC TV).

Em pé: Ivã Avi (guia); Rafael Trindade (repórter cinematográfico/RPC TV); Guto Merkle (instrutor de rafting); Edmilson Morais (piloteiro); João Rodrigo Maroni (repórter/Gazeta do Povo); e Patrícia de Lima (mestre em Bioecologia Aquática/UFPR).

Diogo Hungria e Patrícia de Lima, da UFPR, analisam a qualidade de água no reservatório da usina de Segredo, em Mangueirinha, no Sul do Paraná, um dos municípios por onde a expedição passou.

Entre os dias 10 e 15 de abril, um grupo de jornalistas da Gazeta do Povo e da RPC TV percorreu – de carro e de barco – alguns dos principais trechos do Rio Iguaçu, entre Curitiba e Foz. Em apenas seis dias, a equipe rodou 2,3 mil quilômetros coletando informações técnicas e observando o impacto socioambiental do mais importante curso fluvial do estado.

Para isso, contamos com o apoio dos pesquisadores Patrícia Luiza da Silva Carmo de Lima, bacharel em Aquicultura e mestre em Bioecologia Aquática, e Diogo Barbalho Hungria, biólogo. Ambos são integrantes do Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais (GIA) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Munidos de uma sonda de última geração, os técnicos analisaram a qualidade da água do rio.

Iniciativa

A iniciativa, promovida pelo projeto Águas do Amanhã, do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCom), tem como objetivo informar e sensibilizar os paranaenses para a necessidade de cuidarmos desta vital bacia hidrográfica, capaz de gerar as maravilhosas Cataratas do Iguaçu, mas que está ameaçada pela poluição, sobretudo no trecho próximo à capital.

Nesse sentido, a expedição revelou um rio complexo e repleto de contrastes. De suas nascentes na Serra do Mar até sua foz no Rio Paraná, na região da tríplice fronteira, o Iguaçu vai mudando de forma e função, assim como mudam os preciosos ecossistemas que ele abriga e a relação das pessoas com o próprio rio. Uns o usam para saciar a sede, sustentar a família, gerar energia, irrigar a lavoura ou transportar pessoas e mercadorias. Para outros, é o point do fim de semana, seja na adrenalina do rafting ou na paz da pescaria.

Para alguns, no entanto, o Iguaçu é apenas uma enorme latrina capaz de receber tudo: geladeiras, televisores, móveis, pedaços de automóveis e uma quantidade absurda de lixo e esgoto doméstico e industrial. Cenas fortes que registram um desastre ambiental em pleno curso.

Surpresa

E depois de tudo isso, o rio ainda é capaz de nos surpreender. Conforme avança, vai renovando suas águas em um processo de autodepuração. Uma capacidade natural que está sendo levada ao limite pelo ser humano. “Fica parecendo que está tudo bem. Ao contrário. O rio precisa da nossa ajuda. Por sorte ele se revitaliza sozinho, mas isso tem um limite. A tendência é a poluição ir cada vez mais adiante”, alerta Diogo Hungria.

A expedição ao Rio Iguaçu surgiu de uma iniciativa pioneira da Gazeta do Povo que, em 2008, enviou as repórteres Viviane Favretto e Aniele Nascimento para mostrar a triste situação em que o rio se encontrava. Três anos depois, agora com o amparo de parâmetros técnicos, a sensação é de que pouca coisa mudou, infelizmente.

 

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