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Rafting torna passeio radical
Surgidas graças ao relevo acidentado da Escarpa Devoniana, formação geológica que divide o primeiro do segundo planalto paranaenses, as corredeiras de Porto Amazonas são um atrativo a mais para os praticantes do rafting, apesar de o acesso ao rio ser um pouco limitado.
Nossa reportagem teve o privilégio de descer cerca de dez quilômetros pelos saltos da região. Com o rio mais cheio, a aventura fica bem radical. Chegamos inclusive a pegamos uma corredeira nível 3 (o máximo é 6!). Resultado: muita água na cara, alguns arranhões e uma sensação inigualável de contato com a natureza, que desperta a vontade de preservar o rio.
Neste trecho de corredeiras, observa-se que a água está mais clara, mas o odor ainda é um pouco forte. Há lixo nas margens e na água. Em muitos trechos não há mata ciliar.
No segundo dia da expedição, chegamos a Porto Amazonas, a 70 km de Curitiba. Além de conhecer as corredeiras do Salto Caiacanga, onde as quedas d’água começam a fazer um processo importante de oxigenação do Iguaçu, a região é também conhecida como o marco zero da navegação do rio e é o ponto de partida para relembrar um período importante da história do Paraná, quando os barcos a vapor transitavam pelo Iguaçu, entre o final do século 19 e meados do século 20, carregando erva-mate e madeira e trazendo prosperidade para as cidades ao Sul do estado.
Ao chegar ao Caiacanga, constatamos que, como havia chovido, a força das corredeiras tinha aumentado. Infelizmente, a ação do homem se faz presente: garrafas PET, sacolas e outros entulhos se acumulam entre as rochas. O cheiro é desagradável.
Medição
Os técnicos da UFPR fizeram uma medição no local e constataram que o nível de oxigênio da água, como esperado, aumenta bastante. “Em Araucária, havia 30% de saturação de oxigênio e agora tem 95%. Já o oxigênio dissolvido, aumentou quatro vezes. Isso mostra que a corredeira tem fundamental importância para a revitalização do rio”, explica Diogo Hungria, biólogo da UFPR. No entanto, a mestre em Bioecologia Aquática Patrícia de Lima observa que o nível de nitrato na água permanece alto, sinal de que o impacto do esgoto de Curitiba, dos insumos agrícolas e dos dejetos do gado permanece na água, mesmo após as corredeiras.
Olhando para as margens, é possível notar a pouca vegetação ao redor do salto e a presença de espécies invasoras, como o pinus. Para Léo Marcos de Freitas, diretor do Grupo Ambientalista do Rio Iguaçu (GARI), que atua em Porto Amazonas, a poluição depois das corredeiras continua a trazer riscos para as pessoas. “Já encontramos no Iate Clube de Palmeira, em 2006, cerca de 350 mil coliformes fecais em 100 ml de água, sendo que no litoral do estado, acima de mil coliformes a água é considerada imprópria para banho”, compara. Para resolver o problema, ele sugere criar um consórcio intermunicipal, onde cada cidade e ONG local executem projetos de educação ambiental e fiscalização, entre outras ações.
Areia
A extração de areia é uma das poucas atividades comerciais cujo foco é o Rio Iguaçu que ainda resistem em Porto Amazonas. Ainda assim, trata-se de uma ação questionável. As dragas revolvem o fundo do rio tornando a água mais escura e repleta de materiais particulados (areia, barro e matéria orgânica), segundo os pesquisadores da UFPR que acompanharam nossa expedição.
No entanto, o aposentado Renato Scarante, morador de Porto Amazonas, acha que a atividade tem lá seus benefícios. “Antes tínhamos três enchentes por ano. Hoje tem uma a cada dez anos. Tem muita terra de lavouras e terra que vem de Curitiba descendo o rio. Se não tirasse a areia, isso aqui estaria cheio”, pondera.
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DURANTE A EXPEDIÇÃO, PESQUISADORES E TÉCNICOS FALARAM SOBRE A QUALIDADE DE ÁGUA E A PRÁTICA DO RAFTING. CONFIRA:
