Jonathan Campos/Agência de Notícias Gazeta do Povo José Gonçalves, o Zezo, posa ao lado do vapor Tibagi, que ele ajudou a resgatar. A ideia é montar um museu para preservar a memória da navegação no Iguaçu
MEMÓRIA

Moradores resgatam a história da navegação em Porto Amazonas

Na base da vontade, cidadãos recuperam antigo vapor e lutam para construir museu para preservar os tempos áureos do município 30/04/2011 07:04:49 JOÃO RODRIGO MARONI

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Cidade não tem projeto de turismo

Os esportes de aventura, a memória da navegação e os passeios de barco são atrativos que poderiam ajudar a desenvolver o turismo e, consequentemente, a economia de Porto Amazonas.

Porém, a administração municipal nem ao menos conta com um secretário para a pasta – reflexo da falta de projetos e de dinheiro para desenvolver ações nesse sentido, conforme explica Alessandro Ligeski, assessor-executivo do prefeito Miguel Tadeu Sokulski.

Existe um projeto junto ao Ministério do Turismo para a criação de um parque que englobaria o Cais do Porto e a região central da cidade. No entanto, o dinheiro ainda não foi liberado pelo governo federal e há poucas chances de isso acontecer, segundo Ligeski. Ele reclama também da iniciativa privada, que não investe um centavo na região. “Sem falar que alguns pontos turísticos estão em propriedades particulares”, lamenta.

Para Léo de Freitas, do Grupo Ambientalista do Rio Iguaçu (GARI), é preciso limpar o rio primeiro para depois pensar em desenvolver o turismo. “A não ser que levemos os visitantes para ver o lixo e sentir seu odor fétido, como já é feito no Rio Tietê, em São Paulo”, provoca.

Considerada o marco zero da navegação do Iguaçu desde a época em que os velhos barcos a vapor transitavam pelo rio até União da Vitória (entre 1882 e 1953), transportando madeira e erva-mate e movimentando a economia do Sul do Paraná, Porto Amazonas – assim como as demais cidades da região – até hoje convive com as relíquias de seu passado marcante. Memórias que José Gonçalves e Renato Scarante insistem em recuperar.

Em 2004 eles iniciaram a busca pelo vapor Tibagi, que há 50 anos estava desaparecido após ter sido levado do Cais do Porto, no centro de Porto Amazonas, por uma enchente. Encontraram o barco a 54 quilômetros rio abaixo e conseguiram trazê-lo para o Cais. “A gente pretende fazer um museu nele. Talvez até fique em cima da água, mas não é para navegar”, informa Gonçalves. “Levamos quase três anos para transportá-lo (peça por peça). Aqui ninguém ajuda, parece que não dão valor à história”, reclama Scarante.

O eixo e a caldeira de aço do barco ainda estão no meio do mato. Pesam toneladas. A recuperação do Tibagi custaria R$ 150 mil, segundo Gonçalves. O projeto está parado na prefeitura. Pelo visto, o que resta da embarcação fica apenas sob a proteção de Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira das navegações, cuja imagem enfeita o velho Tibagi.

Navegador

Em 2003, José Gonçalves, o Zezo, construiu o barco Novo Horizonte para tentar desenvolver o turismo na região de Porto Amazonas. Sete anos se passaram e Seu Zezo e seu barco continuam solitários a singrar as águas do Iguaçu. O velho marujo reclama da falta de investimentos na cidade, principalmente na área do Cais do Porto, local onde os barcos aportam e onde muitos porto-amazonenses e curitibanos vêm pescar todos os dias. Faltam quiosques e uma estrutura para embarque e desembarque dos passageiros, segundo Zezo. Enquanto ele navega pelo rio, acaba perdendo passageiros pela falta de acomodações. “O ideal é que alguém colocasse mais um barco. Eu não me importo. A concorrência é boa”, afirma.

SERVIÇO:

Passeio de barco em Porto Amazonas. Duração: 1 hora (ida e volta), do Cais do Porto até Furadinho. Somente aos domingos. Durante a semana, somente passeios agendados. R$ 6 por pessoa (até 20 passageiros). Informações: (42) 3256-2108.

 

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JOSÉ GONÇALVES E RENATO SCARANTE FALAM DA FALTA DE INCENTIVO AO TURISMO EM PORTO AMAZONAS