Jonathan Campos/Agência de Notícias Gazeta do Povo Visão panorâmica da usina de Segredo, da Copel. Análise de água revelou que barragens ajudam a melhorar o rio
MÉDIO E BAIXO IGUAÇU

Um rio barrado pelas usinas

Comuns no trecho intermediário e final do Iguaçu, as hidrelétricas alteram o ecossistema. Por outro lado, ajudam a melhorar a qualidade da água 30/04/2011 09:13:10 JOÃO RODRIGO MARONI

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Usina de Segredo, em Mangueirinha, que é de propriedade da Copel. Foto: Jonathan Campos/AGP
Animais empalhados no museu da usina de Segredo, da Copel. Foto: Jonathan Campos/AGP
Aquário com peixes reproduzidos no laboratório da Copel na hidrelétrica de Segredo. Foto: Jonathan Campos/AGP
Técnicos coletam material de peixes para fazer a reprodução em laboratório. Foto: Jonathan Campos/AGP
Lago da represa de Segredo, em Mangueirinha. Foto: Jonathan Campos/AGP
Expedicionários em ação no reservatório de Segredo. Foto: Jonathan Campos/AGP
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Foz do Areia sofre com a poluição

Primeira das cinco usinas hidrelétricas do Iguaçu, Foz do Areia sofre com a poluição oriunda da região metropolitana de Curitiba. Com frequência, o lago da represa apresenta índices de poluição mais elevados que os das demais usinas. “O problema de Foz do Areia é o excesso de nutrientes na água, oriundos de esgotos. Temos fósforo e nitrogênio e o bloom (ploriferação anormal) de algas, que são potencialmente tóxicas”, admite o biólogo Luiz Augusto Ludwig, da Copel, dona da hidrelétrica.

Por questões técnicas e de logística, nossa expedição não passou por Foz do Areia. Porém, o relatório “Qualidade das águas dos reservatórios do estado do Paraná 2005 – 2008”, publicado pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná (Sema) e pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), comprovam o problema.

De acordo com o relatório, a qualidade de água no reservatório de Foz do Areia é a pior entre as hidrelétricas do Rio Iguaçu. Considerado “moderadamente degradado”, o índice de qualidade da água (IQAR) é igual a 3,3 – em uma escala que vai de 0 (não impactado) a 6 (extremamente poluído). Trata-se de uma média de vários parâmetros, analisados entre os anos de 2005 e 2008.

O relatório aponta ainda índices elevados de fósforo, cianobactérias e turbidez da água, o que indica a presença de poluição por matéria orgânica. Em 2006, o lago da usina chegou a ser classificado como “criticamente degradado a poluído”, após uma floração de algas. Além da poluição que vem das cidades, colaboram para o problema em Foz do Areia as próprias características físicas do reservatório: mais profundo, encaixado e com baixa circulação de água.

**O IQAR dos reservatórios do Rio Iguaçu:

> Foz do Areia – IQAR: 3,3 – moderadamente degradado;
> Segredo – IQAR 2,6: – moderadamente degradado;
> Salto Santiago – IQAR: 2,4 – pouco degradado;
> Salto Osório – IQAR: 2,3 – pouco degradado;
> Salto Caxias – IQAR: 2,2 – pouco degradado.

No quinto dia, nossa equipe se deslocou por terra até a região do Médio Iguaçu, onde inicia-se uma sequência de cinco usinas hidrelétricas instaladas ao longo do Iguaçu. Pela ordem, são elas: Foz do Areia, no município de Pinhão, Segredo, em Mangueirinha; Salto Santiago, em Saudade do Iguaçu; Salto Osório, em Quedas do Iguaçu; e Salto Caxias, em Capitão Leônidas Marques. Foz do Areia, Segredo e Salto Caxias são da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e Salto Santiago e Salto Osório pertencem à Tractebel Energia. Juntas, as usinas geram 6.674 MW – quase 7% da eletricidade produzida no Brasil. Está prevista a construção de uma sexta usina próximo ao Parque Iguaçu, entre os municípios de Capanema e Capitão Leônidas Marques, capaz de produzir mais 350 MW.

À tarde, chegamos a Segredo (Usina Governador Ney Braga). Inaugurada em 1992, a hidrelétrica foi a primeira do país a ter um Relatório de Impacto Ambiental (Rima). De cara, os 145 metros de altura da barragem impressionam. Ali, conhecemos o laboratório que a Copel mantém para reproduzir peixes endêmicos (que só existem naquela região) do Iguaçu. Muitas delas, como o Surubim, foram quase extintas pela construção das barragens e pela pesca predatória.

Extinção

“Várias espécies declinaram depois do barramento de Segredo, mas nenhuma foi extinta”, garante o biólogo Luiz Augusto Marques Ludwig, responsável pelas pesquisas com o intuito de repovoar de peixes o rio, repondo o que foi perdido com a mudança da mecânica das águas, que antes corriam rápidas e agora estão mais lentas por causa das represas.

Apesar de necessárias, as hidrelétricas causam um grande impacto ambiental, pois seus lagos inundam quilômetros de florestas, alterando ecossistemas ao redor. “Aquele rio está correndo ali há séculos e, de repente, você o represa. Isso muda toda a biota (conjunto de seres vivos que habitam o local). Existe toda uma cadeia alimentar que é alterada”, explica o biólogo Diogo Hungria.

Segundo o pesquisador, é importante que se pensem ações para minimizar o impacto das usinas, como investir em educação ambiental, saneamento, reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. A Copel, aliás, investe no reflorestamento nas margens das represas. Porém, o que se vê em Segredo, em áreas particulares no entorno, são pontos com pouca vegetação e até gado pastando próximo ao lago.

Análise

A análise de água em Segredo indicou melhora na qualidade. O índice de turbidez, por exemplo, caiu de 45 microsiemens (µS) para apenas 5 µS. Isto ocorre porque a barragem funciona como um tanque de decantação natural para a matéria em suspensão, que vai para o fundo deixando a água mais “clara”. Por outro lado, as represas também sofrem com a poluição. É o caso de Foz do Areia, a primeira hidrelétrica do Iguaçu. “O problema lá é o excesso de nutrientes na água, oriundos de esgotos. Temos fósforo e nitrogênio e há a proliferação de algas, que são potencialmente tóxicas”, admite Ludwig. Além da contaminação, o acúmulo de material no fundo dos reservatórios diminui sua vida útil.

 

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