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Frio e chuva marcam último dia da expedição
No sexto e último dia da expedição, já em Foz do Iguaçu, colocamos o barco na água em Porto Meira, no trecho final do Iguaçu, após as Cataratas. Chovia e ventava, o que dificultou um pouco os trabalhos.
O objetivo era navegar a região da tríplice fronteira. Lembrando que o Iguaçu separa o Brasil da Argentina e o Rio Paraná separa o Brasil e a Argentina do Paraguai.
Além de medir a qualidade da água – bem melhor, por sinal – em pontos dos dois grandes rios, constatamos queimadas às margens do Paraná, tanto do lado argentino quanto do lado brasileiro.
Apesar do tempo ruim, a sensação de todos era de dever cumprido. E bastou tirarmos o barco da água que até o tempo melhorou. O sol acabou aparecendo timidamente e terminamos a manhã nas Cataratas, símbolo maior da beleza e da importância do Iguaçu. Que venha a próxima expedição!
Após visitar a usina de Segredo, saímos de Dois Vizinhos (a 473 km de Curitiba), passando por Salto do Lontra até Nova Prata do Iguaçu, na divisa com Realeza, onde localiza-se a hidrelétrica de Salto Caxias.
Na comunidade Barra do Sarandi, abaixo da barragem, os técnicos da Universidade Federal do Paraná mediram a qualidade da água. Aproveitamos para conversar com moradores da região, entre eles o agricultor Ademir de Oliveira, cuja família veio do Rio Grande do Sul para Capanema e depois se estabeleceu em Realeza. “Nós nos criamos nessa virada de rio”, conta Oliveira.
O agricultor já chegou a ser preso pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por pescar com rede no Iguaçu, o que é proibido. “Mas não avisaram antes que não podia”, reclama. De vilão ele virou defensor do rio. “Eu faço limpeza aqui nas segundas, quartas e sábados. O pessoal não leva o lixo embora”, protesta Oliveira, referindo-se ao descaso dos pescadores da região.
De Barra do Sarandi, subimos até o lago de Salto Caxias para avaliar a água da represa. A vista é maravilhosa no local.
Mirante
Ainda no quinto dia de expedição, após coletar amostras de água na usina de Salto Caxias, seguimos até o município de Capitão Leônidas Marques. Ali, paramos no mirante de onde avista-se o Salto da Vaca Branca, um belíssimo conjunto de corredeiras junto ao Parque Nacional do Iguaçu. No local, encontramos uma equipe formada por integrantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Polícia Federal (PF) e da Força Nacional, responsáveis pela segurança do Parque, considerado área restrita de proteção ambiental.
“Damos um apoio ao ICMBio por causa dos crimes ambientais, que são de responsabilidade da PF”, explica o agente federal Carlos Augusto Nasser. Fortemente armados, os policiais coíbem a ação de palmiteiros ilegais e caçadores, além de contrabandistas e traficantes de drogas – motivo de preocupação constante para as autoridades da região, que fica na divisa com a Argentina e próxima ao Paraguai.
Após o almoço, nossa equipe foi guiada pelos policiais para uma navegação privilegiada no Iguaçu, dentro do Parque Nacional. Saímos de Porto Moisés Lupion, em Capanema, e entramos no Rio Santo Antonio, afluente do Iguaçu e que divide o Brasil da Argentina. Além de coletar amostras de água na região, desembarcamos junto ao marco fronteiriço do Brasil, abandonado em meio à vegetação e com pichações no obelisco, cuja tinta está desgastada. Do outro lado do rio, é possível avistar o marco argentino: bem pintado e com o gramado ao redor bem aparado. Ponto para os hermanos!
Em relação à qualidade da água, os parâmetros indicam que o rio vai melhorando, principalmente após a entrada de afluentes e, consequentemente, a maior diluição do material em suspensão na água. “Com os parâmetros analisados pela sonda, a gente percebe que o rio vai melhorando. A cada ponto ele vai respondendo melhor”, explica Patrícia de Lima. “A água não está limpa, mas já é de boa qualidade”, acrescenta Diogo Hungria.
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VEJA ENTREVISTA COM OS PESQUISADORES DA UFPR FALANDO SOBRE A QUALIDADE DA ÁGUA NAS REPRESAS
