Jonathan Campos/Agência de Notícias Gazeta do Povo Em Porto Lupion, região de Capanema, o visual é deslumbrante. Equipe percorreu as águas do Parque Nacional do Iguaçu
NATUREZA PRESERVADA

Paisagem deslumbrante chama atenção no trecho final do Iguaçu

De Salto Caxias até Capanema, o rio está mais largo, a qualidade de água é melhor e a vista é de tirar o fôlego 30/04/2011 09:47:08 JOÃO RODRIGO MARONI

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Borboletas no Parque Nacional do Iguaçu. Foto: Jonathan Campos/AGP
Na entrada da antiga Estrada do Colono, hoje fechada, as borboletas dão as boas-vindas. Foto: Jonathan Campos/AGP
Em Foz, terminamos nossa jornada nas belíssimas Cataratas do Iguaçu. Foto: Jonathan Campos/AGP
Cataratas do Iguaçu: recompensa após o fim de nossa jornada. Foto: Jonathan Campos/AGP
Marco fronteiriço brasileiro: abandonado no meio do mato. Foto: Jonathan Campos/AGP
O Iguaçu finalmente encontra o Rio Paraná, na região da tríplice fronteira. Foto: Jonathan Campos/AGP
Entramos no Rio Paraná para medir a qualidade da água. Foto: Jonathan Campos/AGP
Agentes da PF e da Força Nacional nos escoltaram pelas águas do Parque Nacional do Iguaçu. Foto: Jonathan Campos/AGP
Em Porto Lupion, atravessa-se o Iguaçu até o Parque Nacional, onde antigamente havia a Estrada do Colono. Foto: Jonathan Campos/AGP
Na estrada, entre Mangueirinha e Nova Prata do Iguaçu. Foto: Jonathan Campos/AGP
No remanso do barco, próximo ao Parque Nacional do Iguaçu. Foto: Jonathan Campos/AGP
Barcos ilegais apreendidos pela Polícia Federal no Parque Iguaçu. Foto: Jonathan Campos/AGP
Rio Santo Antonio, afluente do Iguaçu que separa o Brasil da Argentina. Foto: Jonathan Campos/AGP
Represa de Salto Caxias. Foto: Jonathan Campos/AGP
Diogo Hungria, da UFPR, coleta amostra de água do Iguaçu após a barragem de Salto Caxias. Foto: Jonathan Campos/AGP
Ademir de Oliveira: de infrator a protetor do rio. Foto: Jonathan Campos/AGP
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Frio e chuva marcam último dia da expedição

No sexto e último dia da expedição, já em Foz do Iguaçu, colocamos o barco na água em Porto Meira, no trecho final do Iguaçu, após as Cataratas. Chovia e ventava, o que dificultou um pouco os trabalhos.

O objetivo era navegar a região da tríplice fronteira. Lembrando que o Iguaçu separa o Brasil da Argentina e o Rio Paraná separa o Brasil e a Argentina do Paraguai.

Além de medir a qualidade da água – bem melhor, por sinal – em pontos dos dois grandes rios, constatamos queimadas às margens do Paraná, tanto do lado argentino quanto do lado brasileiro.

Apesar do tempo ruim, a sensação de todos era de dever cumprido. E bastou tirarmos o barco da água que até o tempo melhorou. O sol acabou aparecendo timidamente e terminamos a manhã nas Cataratas, símbolo maior da beleza e da importância do Iguaçu. Que venha a próxima expedição!

Após visitar a usina de Segredo, saímos de Dois Vizinhos (a 473 km de Curitiba), passando por Salto do Lontra até Nova Prata do Iguaçu, na divisa com Realeza, onde localiza-se a hidrelétrica de Salto Caxias.

Na comunidade Barra do Sarandi, abaixo da barragem, os técnicos da Universidade Federal do Paraná mediram a qualidade da água. Aproveitamos para conversar com moradores da região, entre eles o agricultor Ademir de Oliveira, cuja família veio do Rio Grande do Sul para Capanema e depois se estabeleceu em Realeza. “Nós nos criamos nessa virada de rio”, conta Oliveira.

O agricultor já chegou a ser preso pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por pescar com rede no Iguaçu, o que é proibido. “Mas não avisaram antes que não podia”, reclama. De vilão ele virou defensor do rio. “Eu faço limpeza aqui nas segundas, quartas e sábados. O pessoal não leva o lixo embora”, protesta Oliveira, referindo-se ao descaso dos pescadores da região.

De Barra do Sarandi, subimos até o lago de Salto Caxias para avaliar a água da represa. A vista é maravilhosa no local.

Mirante

Ainda no quinto dia de expedição, após coletar amostras de água na usina de Salto Caxias, seguimos até o município de Capitão Leônidas Marques. Ali, paramos no mirante de onde avista-se o Salto da Vaca Branca, um belíssimo conjunto de corredeiras junto ao Parque Nacional do Iguaçu. No local, encontramos uma equipe formada por integrantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Polícia Federal (PF) e da Força Nacional, responsáveis pela segurança do Parque, considerado área restrita de proteção ambiental.

“Damos um apoio ao ICMBio por causa dos crimes ambientais, que são de responsabilidade da PF”, explica o agente federal Carlos Augusto Nasser. Fortemente armados, os policiais coíbem a ação de palmiteiros ilegais e caçadores, além de contrabandistas e traficantes de drogas – motivo de preocupação constante para as autoridades da região, que fica na divisa com a Argentina e próxima ao Paraguai.

Após o almoço, nossa equipe foi guiada pelos policiais para uma navegação privilegiada no Iguaçu, dentro do Parque Nacional. Saímos de Porto Moisés Lupion, em Capanema, e entramos no Rio Santo Antonio, afluente do Iguaçu e que divide o Brasil da Argentina. Além de coletar amostras de água na região, desembarcamos junto ao marco fronteiriço do Brasil, abandonado em meio à vegetação e com pichações no obelisco, cuja tinta está desgastada. Do outro lado do rio, é possível avistar o marco argentino: bem pintado e com o gramado ao redor bem aparado. Ponto para os hermanos!

Em relação à qualidade da água, os parâmetros indicam que o rio vai melhorando, principalmente após a entrada de afluentes e, consequentemente, a maior diluição do material em suspensão na água. “Com os parâmetros analisados pela sonda, a gente percebe que o rio vai melhorando. A cada ponto ele vai respondendo melhor”, explica Patrícia de Lima. “A água não está limpa, mas já é de boa qualidade”, acrescenta Diogo Hungria.

 

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VEJA ENTREVISTA COM OS PESQUISADORES DA UFPR FALANDO SOBRE A QUALIDADE DA ÁGUA NAS REPRESAS