Valterci Santos/Agência de Notícias Gazeta do Povo Arthur Cézar de Pol e José Cricheski protestam contra a situação da Rua Eugênio Flor, em Curitiba, onde não há esgoto e o lixo é jogado na via
CRIMES AMBIENTAIS

Saneamento em Curitiba fica só na promessa

Casos denunciados pela Gazeta do Povo nos últimos meses na região da capital paranaense continuam sem solução por parte do poder público e revoltam moradores 17/05/2011 19:26:00 JOÃO RODRIGO MARONI

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Esgoto lançado em galeria pluvial na Rua Eugênio Flor, em Curitiba. Foto enviada pelo leitor José Cricheski
Nascente localizada no terreno às margens da Rua Eugênio Flor e que está sendo poluída por esgotos e lixo. Foto enviada pelo leitor José Cricheski
Pneus velhos estão entre o entulho descartado ao longo da rua. Foto enviada pelo leitor José Cricheski
Até animais mortos de grande porte, como esta vaca, são despejados no terreno baldio. Foto enviada pelo leitor José Cricheski
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Ao longo dos últimos meses, a reportagem da Gazeta do Povo, mostrou inúmeras queixas de moradores de Curitiba e região metropolitana a respeito de problemas relacionados à ausência de saneamento básico, como falta de rede de coleta de esgoto, lixo despejado na rua, rios poluídos, entre outras situações que impactam na qualidade de água da bacia do Alto Iguaçu – foco do projeto Águas do Amanhã, do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCom).

Promessas do poder público para resolver essas questões não faltaram à época. Porém, a maioria foi insatisfatória, segundo os próprios cidadãos, ou nem saíram do papel. Como na Rua Eugênio Flor, no bairro Taboão, em Curitiba (reportagem publicada em 15/11/2010). Na região, não há rede coletora e a via está tomada pelo lixo, que é despejado inclusive em um terreno baldio às margens da rua, onde ficam nascentes e um córrego – já contaminados por esgoto e entulho.

Pior

“Está a mesma coisa ou até pior”, resume Arthur Cézar de Pol, que mora na região. “Faz 23 anos que vivo aqui e continua desse jeito. Eles (prefeitura) vêm, limpam e depois volta tudo igual”, reclama Jacinta Bajerski. Indignados, os vizinhos argumentam que o poder público não fez nem uma vistoria nos imóveis para descobrir quem contamina o córrego. “Isso é o mínimo que deveriam fazer, mas estamos pedindo mais. Dizem que têm projeto, mas de concreto não fizeram nada”, protesta Itamar Chequin, referindo-se ao estudo da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para implantar a rede de esgoto na região.

Em relação ao entulho jogado no local, os moradores fazem o que podem, tentando juntar provas e enviando-as às autoridades. “Já passei para o protocolo da prefeitura (via telefone 156) as placas dos carros que jogaram lixo”, conta José Cricheski. No entanto, segundo ele, o problema continua.

De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Curitiba (SMMA), o terreno onde há o córrego é particular e passa por processo judicial, o que impede ações mais efetivas da prefeitura – que não pode entrar no imóvel. No entanto, a limpeza da via é feita a cada 30 dias. Em relação às placas de carros denunciadas, detectou-se que são de outros municípios, dificultando a aplicação de multas. Sobre a implantação da rede de esgoto, a secretaria diz ter enviado ofício à Sanepar, que não deu retorno. No entanto, mesmo após as denúncias da reportagem, o município não fez as vistorias para localizar as ligações irregulares.

Em nota, a Sanepar informa que concluiu um estudo preliminar para a implantação de esgoto no Taboão. O projeto executivo deve ser contratado no segundo semestre, mas a obra só deve ser executada em quatro anos.

 

> Confira o vídeo enviado pelo leitor José Cricheski que mostra a situação na Rua Eugênio Flor, em Curitiba

 

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