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Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, as atenções se voltam para um tema cada vez mais em voga: a água – ou a eventual falta que ela pode fazer caso continuemos a abusar da natureza. Décadas de descaso com os recursos hídricos agora se refletem em previsões catastróficas, nas quais populações inteiras ficam sem ter o que beber. Na África, isso já acontece.
Mas não é preciso ir tão longe. A região metropolitana de Curitiba – abastecida majoritariamente pela bacia hidrográfica do Alto Iguaçu – dispõe de apenas de 500 m3 de água por habitante ao ano, quando o ideal seria o triplo disso, segundo as Nações Unidas. Resumindo: vivemos uma situação de escassez hídrica.
Problemas
Para poder preservar rios e mananciais, o primeiro passo, dizem os especialistas, é entender a situação. Nesse sentido, é preciso ter informações. Ao longo dos últimos meses, o projeto Águas do Amanhã vem elaborando um levantamento técnico com mais de 20 parâmetros sobre as condições atuais da bacia do Alto Iguaçu. No próximo mês, um relatório com o estudo completo deve ficar pronto. Trata-se de um verdadeiro diagnóstico da bacia, apresentando subsídios para melhor analisar as dificuldades ambientais enfrentadas e a melhor maneira de superá-las.
No entanto, a pedido da Gazeta do Povo, a engenheira civil Ana Sylvia Zeny e a arquiteta urbanista Cecile Miers, responsáveis pela pesquisa, anteciparam cinco dos principais fatores que afetam diretamente a qualidade de água e impactam a vida dos habitantes da bacia hidrográfica. São eles: ocupações irregulares, cobertura de coleta de esgoto, áreas de risco de inundação, mananciais e mata ciliar.
Ao cruzar informações de várias fontes governamentais, como prefeituras, empresas públicas e órgãos fiscalizadores, o estudo revelou índices preocupantes, mas também sinalizou algumas boas perspectivas. “Vejo que esses dados são o fio da meada de uma grande discussão sobre coisas que afetam a todos. Existe uma linha que liga essa água a problemas que o cidadão acha importante no seu dia a dia”, reitera Antonio Ostrensky, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador técnico do Águas do Amanhã.
De acordo com o pesquisador, as informações do estudo representam uma fotografia do Alto Iguaçu hoje, explicitando um círculo vicioso de degradação socioambiental cujos fatores estão interligados. “As ocupações irregulares são como o primeiro sintoma da doença”, compara. Casas em locais inapropriados, sem estrutura, acarretam na falta de saneamento (água, coleta de esgoto e lixo) e, consequentemente, na poluição dos mananciais, na degradação das matas ciliares e no aumento do risco de enchentes, segundo Ostrensky. Além disso, esse cenário logo se amplia para problemas sociais, como aumento da violência e da degradação humana.
Este pequeno retrato da mais importante bacia hidrográfica do Paraná você confere ao longo das reportagens deste quinto e último conteúdo especial Águas do Amanhã. Aproveite!
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