Jonathan Campos/Agência de Notícias Gazeta do Povo Até geladeiras são atiradas ao rio: descaso ou falta de informação?
ESPECIAL: ÁGUAS DO AMANHÃ #5

Opinião: Um verdadeiro mapa da nossa realidade

A arquiteta urbanista Cecile Miers e a engenheira civil Ana Zeny comentam a situação da bacia do Alto Iguaçu a partir do levantamento e cruzamento de dados sobre a região que ambas fizeram a pedido do Águas do Amanhã 04/06/2011 12:53:13 ANA SYLVIA ZENY e CECILE MIERS

Alto Iguaçu. É nesta porção de rio, ainda pequeno, que muita coisa acontece. São 18 municípios, 18 realidades diferentes, 18 histórias, conquistas, anseios. Mas ao final, todas as atividades e ações, desenvolvidas em cerca de 40% do território destas cidades onde vivem quase 3 milhões de pessoas, têm reflexo nas águas do Iguaçu.

Águas cuja qualidade varia de medianamente poluída a extremamente poluída, mesmo com 72% de coleta de esgoto e quase 100% de coleta de resíduos sólidos. Águas que percorrem rios com menos da metade da mata ciliar que deveria protegê-los, e com muitas áreas de ocupação irregular, refletindo a incapacidade da gestão pública em controlar a ocupação que ameaça os mananciais.

O diagnóstico do Águas do Amanhã tem mostrado, até agora, que a situação do Alto Iguaçu é crítica. E por que isto acontece? Ao procurar conhecer um pouco mais sobre a bacia hidrográfica, a situação com a qual nos deparamos é a seguinte: muito tem sido pensado, discutido e definido, na forma de planos, projetos, leis, decretos, mas o que permanece é um círculo vicioso que não se fecha. Isto porque, mesmo sendo de conteúdo importante e urgente, trabalhos concluídos são engavetados e esquecidos por falta de decisão política ou de recursos para colocá-los efetivamente em prática.

Dados

O Águas do Amanhã saiu em busca de dados já mapeados, com foco em temas que retratassem a realidade do Alto Iguaçu, entre eles a mata ciliar, esgotos, resíduos sólidos, ocupações irregulares, qualidade da água, fontes de poluição e áreas de inundação. Embora constatemos o esforço das instituições em realizar um trabalho de qualidade e útil para a sociedade, impressiona o fato de profissionais trabalharem isoladamente, com pouco intercâmbio das informações já produzidas sobre o mesmo tema, além da burocracia imposta ao acesso a esses dados e da dificuldade na utilização dos mesmos pela forma com que são disponibilizados.

Outro ponto em destaque é que o objeto de atenção de um estudo sobre meio ambiente, quando o território é a bacia hidrográfica, extrapola os limites político-administrativos, que só existem no papel. Na realidade, o que acontece em determinado município tem consequências na cidade vizinha. Esta consciência precisa ser trabalhada. É necessária a união de esforços, nas esferas governamentais e nos setores produtivos e de serviços, com a maciça participação da sociedade civil, pois a manutenção da qualidade hídrica e, consequentemente, da qualidade de vida é responsabilidade de todos – juntos!

Felizmente, esta visão é o que se pode vislumbrar nas novas gestões, que vêm buscando a integração de suas instituições. Igualmente é o que o Águas do Amanhã tem como meta, em um esforço concentrado em levar informação aos diversos públicos, pois informação compartilhada se transforma em conhecimento, completando o círculo de ações necessárias para a abertura de um diálogo permanente, necessário e desejado por muitos, depois de um longo período repleto de discursos, mas de poucos resultados concretos.

 

> Ana Sylvia Zeny é engenheira civil e Cecile Miers é arquiteta urbanista. Ambas são técnicas da ArchGeo Arquitetura e Meio Ambiente e foram responsáveis pelo levantamento encomendado pelo Águas do Amanhã. 

 

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