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Maior parte do lixo doméstico é recolhida
Um dado positivo obtido pelo estudo feito pelo Águas do Amanhã na bacia do Alto Iguaçu diz respeito à coleta do lixo domiciliar, que se aproxima dos 100% da população atendida. É bom frisar, no entanto, que esses dados foram fornecidos pelas próprias prefeituras, administradoras dos serviços.
Ana Sylvia Zeny e Cecile Miers destacam também a boa cobertura de coleta seletiva (resíduos sólidos ou recicláveis), mas cujos índices ainda não são tão bons quanto os da coleta normal.
Na opinião de Antonio Ostrensky, é preciso agregar valor econômico aos materiais recicláveis, como já acontece com as latinhas de alumínio. “Senão, as pessoas vão simplesmente jogar fora”, pontua. Outro fator com potencial, segundo o estudo, para ser aprimorado é a varrição de rua. Em Curitiba, por exemplo, o serviço não cobre toda a cidade.
“Melhorar a varrição seria uma maneira de diminuir a poluição dos rios”, esclarece Ana Sylvia. Durante as chuvas, boa parte do lixo e da sujeira das ruas vai parar nos rios através das bocas de lobo e galerias pluviais.
Segundo o Cadastro de Usuários de Recursos Hídricos, de 1999, do Instituto das Águas do Paraná, cerca de 80% da carga poluidora dos rios na região metropolitana de Curitiba é oriunda de esgotos domésticos e da poluição difusa (resultante do lixo e da sujeira proveniente dos ambientes urbanos). O dado parece contraditório, já que a bacia do Alto Iguaçu possui, segundo levantamento feito pelo Águas do Amanhã com base em informações da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e no censo populacional de 2010 (estimado) do IBGE, 72% de cobertura de coleta de esgoto.
Chama atenção o fato de alguns municípios importantes da RMC – inclusive do ponto de vista econômico – possuem taxas baixas de coleta e tratamento de efluentes. É o caso de Araucária, que tem 55% de coleta e apenas 51% de tratamento. Pelos cálculos da Sanepar, a cidade teria 38,98% de cobertura de rede, com 100% de tratamento do que é coletado. Outros municípios também se destacam pelos baixos índices: Campo Magro (27%), Almirante Tamandaré (16%), Mandirituba (8%) e Contenda (0%). “As áreas mais adensadas estão bem atendidas, mas algumas não estão”, constata a arquiteta urbanista Cecile Miers, que fez o levantamento dos dados. “Como na região do Rio Atuba, em Colombo e em Almirante Tamandaré, no Rio Passaúna, em Campo Magro, e nos rios Mascate e Divisa, em Fazenda Rio Grande”, exemplifica a engenheira Ana Sylvia Zeny, também responsável pelos dados.
Passivo
De acordo com a ambientalista Teresa Urban, estes números refletem o enorme passivo ambiental deixado por anos de descaso com o assunto. “As políticas do setor sempre estiveram voltadas para assegurar o abastecimento de água. Criamos fábricas domésticas de esgoto na medida em que fornecemos água tratada para a população sem o devido acompanhamento da rede coletora. A isso, soma-se a dificuldade de estimular os cidadãos que possuem o serviço a fazer a ligação correta no sistema de esgoto. Segundo a Sanepar, 33% dos domicílios que dispõe de coleta não estão ligados corretamente à rede. Isso explicaria em parte a contaminação dos rios, mesmo com mais de 70% de cobertura e tratamento de efluentes.
Para Teresa Urban, é preciso que governo e sociedade trabalhem em parceria, principalmente através de políticas de conscientização, envolvendo o cidadão comum na discussão.
Na opinião de Antonio Ostrensky, coordenador técnico do Águas do Amanhã, as pessoas precisam se convencer de que não basta se livrar do problema no córrego ou galeria pluvial mais próximos. “O esgoto tem de estar ligado na rede e, depois, o poder público deve fazer o papel dele, que é tratar adequadamente esse efluente para que seja lançado adequadamente no rio”, sentencia. Multa para o morador irregular e educação ambiental para as novas gerações, segundo o especialista, são duas boas estratégias para enfrentarmos a questão daqui para frente.
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