Antonio Costa/Agência de Notícias Gazeta do Povo Alagamento na Cidade Industrial de Curitiba em fevereiro deste ano. Infelizmente, esta cena tem se tornado comum na região metropolitana
ESPECIAL: ÁGUAS DO AMANHÃ #5

Em 2020, alagamentos vão afetar mais gente no Alto Iguaçu

Dados do Instituto das Águas do Paraná mostram que inundações vão afetar uma fatia maior da população caso o ritmo de crescimento da RMC se mantenha 04/06/2011 14:10:13 JOÃO RODRIGO MARONI

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Os problemas de alagamentos na bacia do Alto Iguaçu, como os vividos pelos moradores próximos ao Rio Atuba, tendem a piorar – e bastante – nas próximas duas décadas. É o que mostram dados do Instituto das Águas do Paraná (AguasParaná) com base em estimativas do crescimento populacional da região. No caso da sub-bacia do Atuba, que cobre apenas 3,5% da área total do Alto Iguaçu, mas que concentra quase 16% da população da região, a população atingida pelas cheias em 2020 será 7% maior, no comparativo com dados de 1999.

Para uma área densamente habitada, como a bacia do Atuba, isto pode significar uma tragédia anunciada. Mas os índices são ainda mais perturbadores, se olharmos outras sub-bacias da região. Na do Rio Miringuava, em São José dos Pinhais, a população atingida pelas inundações vai ser 368% maior, tomando-se o mesmo período de comparação. Na bacia do Iraí (um dos importantes mananciais da RMC), o índice chega a 109%.

Cálculo

Os números foram calculados com base em uma frequência de inundação alta, ou seja, de uma ocorrência a cada cinco anos. E se pegarmos os dados do Rio Pequeno, também em SJP, mas com uma frequencia de inundação moderada (1 ocorrência por ano), a população atingida pelas enchentes em 2020 será 2.550% maior, passando de 464 pessoas para 12.306.

Como dá para perceber, o cálculo é feito não apenas com base em um eventual aumento da área alagada pelos rios, mas principalmente pelo aumento populacional nas áreas inundáveis. É o caso da bacia do Rio Barigui, que corta Curitiba, cujo aumento vai ser de 61%, segundo a estimativa.

Além das ocupações irregulares em áreas alagáveis e sem infraestrutura urbana planejada, as enchentes ocorrem pelo excesso de chuvas e pela má utilização do solo das cidades, com o excesso de impermeabilização dos terrenos, provocado pela construção de vias, calçamentos – públicos e particulares. “As prefeituras deveriam colocar a questão da drenagem urbana no topo das prioridades, mas esta é uma decisão política”, esclarece a arquiteta urbanista Cecile Miers, autora da compilação de dados juntamente com a engenheira civil Ana Sylvia Zeny. “A partir do momento em que a cidade vai crescendo. A própria ocupação urbana aumenta a taxa de impermeabilização do solo. Com o passar do tempo, as pessoas vão fazendo um puxadinho aqui, uma calçadinha acolá. Onde não tinha garagem passa a ter, em vez de cortar grama o cidadão põe uma calçada. Toda essa água deixa de infiltrar e vai para o sistema de drenagem, que entra em colapso por causa disso”, explica Ana Sylvia.

Para minimizar o problema, as especialistas recomendam a implantação de fato de um plano diretor de drenagem para a bacia do Alto Iguaçu, que vem sendo elaborado desde 2002. Além disso, deve haver maior fiscalização com relação a impermeabilização nas áreas urbanas e também a conscientização dos cidadãos sobre as consequências do não cumprimento da lei. Em Curitiba, por exemplo, 25% das áreas dos imóveis devem ser permeáveis (cobertas com vegetação ou terra), o que nem sempre é respeitado. Mais: as instituições governamentais devem trabalhar de forma integrada para evitar ocupações irregulares e outros fatores agravantes do problema.

 

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