Antonio Costa/Agência de Notícias Gazeta do Povo Área de invasão próxima ao Aterro da Caximba, em Curitiba. Cena comum na região da bacia do Alto Iguaçu
ESPECIAL: ÁGUAS DO AMANHÃ #5

Quase 6% das áreas são irregulares

Invasões nas margens de rios, condomínios irregulares e construções ilegais afetam 16 dos 18 municípios que compõem o Alto Iguaçu 04/06/2011 14:29:50 JOÃO RODRIGO MARONI

Saiba mais

Clique na imagem para ampliar o mapa

Campo Largo planeja regularização

Com uma das maiores extensões territoriais do Paraná, o município de Campo Largo luta para conter as ocupações irregulares.

De acordo com Juliana Regina de Vargas, arquiteta da Secretaria de Desenvolvimento Urbano da cidade, há vários tipos de problemas, como áreas públicas e particulares invadidas e condomínios clandestinos. “Não temos novos loteamentos irregulares. São passivos do município, principalmente dos anos 1980 e 90”, explica. Segundo ela, a fiscalização aumentou nos últimos anos. Porém, o último levantamento dos imóveis ilegais foi feito em 2008. “Temos áreas que já estão invadidas e que podem aumentar, mas esse número não é expressivo”, garante.

De acordo com Nivaldo Guerin, coordenador da Defesa Civil de Campo Largo, há vários projetos de regularização em andamento hoje no município, como nos bairros Santa Angela e Itaqui, com o cadastramento das famílias e a construção novas moradias.

Dos 629,48 Km2 da mancha urbana da bacia do Alto Iguaçu, ou seja, onde efetivamente está concentrada a população – dados de 2004 da Coordenação da Região Metropolitana da Curitiba (Comec) – , 39,65 Km2 (6,30% do total) são áreas de ocupação irregular. Trata-se de invasões em beiras de rios, condomínios ilegais ou então construções e parcelamentos de imóveis não autorizadas. Para se ter uma ideia, 16 dos 18 municípios integrantes da bacia possuem áreas nessas condições. Porém é importante destacar que algumas cidades informaram apenas os dados de invasões. Isto significa que o número de irregularidades pode ser ainda maior.

Os municípios com mais áreas em desacordo com a legislação são Piraquara e Campo Largo, com 34,76% e 33,71%, respectivamente, de sua mancha urbana nessa situação. O primeiro é famoso por abrigar o bairro Guarituba, antiga área de mananciais invadida que hoje é habitada por mais de 50 mil pessoas e onde funciona um dos maiores programas de regularização fundiária do país, o PAC Guarituba. “Ninguém mora na beira do rio porque quer. Isso está associado a um déficit de habitação, à pobreza e à especulação imobiliária. A sociedade brasileira é desigual e, não raro, o planejamento é feito com base em critérios monetários. Se você for ver os custos dos terrenos em Curitiba, é praticamente impossível uma população de baixa renda viver aqui”, avalia a jornalista e ambientalista Teresa Urban.

Déficit

Segundo a especialista, a bacia do Alto Iguaçu possui um enorme passivo em relação às ocupações irregulares. Além de cobrar planejamento dos governos para resolver o problema, ela acredita que a participação da sociedade, cobrando e fiscalizando o poder público, é essencial. Ainda assim, Teresa Urban lamenta que os pobres tenham sido “empurrados” para as bordas da capital. “O planejamento de Curitiba está associado ao interesse imobiliário. Como você vai construir o Minha Casa, Minha Vida (programa de regularização fundiária do governo federal) no metro quadrado mais caro do Brasil?”, alfineta.

 

ACESSE A COMUNIDADE DO ÁGUAS DO AMANHÃ E COMENTE AS REPORTAGENS.