Água mais cara no futuro? Pode apostar. Ao menos é isso que dizem os especialistas em recursos hídricos quando o assunto é o futuro dos mananciais do Alto Iguaçu. Pressionadas pela expansão da mancha urbana (veja infográfico), nossas fontes de água estão cada vez mais sujeitas à contaminação – seja por esgotos irregulares, supressão da mata no entorno dos rios e reservatórios ou pelo próprio funcionamento da cidades, que geram poluição. A conta, adivinhe, vai ser paga pelos consumidores, ou seja, todos nós.
“Isso é inevitável. A água na nossa região é escassa por natureza. O Rio Iguaçu aqui é um filete. Isso já obrigou a Sanepar a fazer quatro barragens (Iraí, Passaúna e Piraquara 1 e 2) e tem mais uma a ser construída (Miringuava). Isso é para segurar a água quando chove, para se ter o recurso na época de estiagem”, explica Celso Luis Tomas, gerente geral da Sanepar para a região metropolitana de Curitiba e litoral. Segundo ele, quanto maior a contaminação dos mananciais, mais se gasta com o tratamento da água. Para piorar, vai ser preciso buscar água de qualidade cada vez mais longe. Para se ter uma ideia, em 2020, caso o crescimento populacional continue no mesmo ritmo, será preciso fazer a captação no Rio Açungui, que fica a 50 quilômetros de distância e 500 metros abaixo do nível topográfico da RMC.
Histórico
De acordo com o oceanólogo Antonio Ostrensky, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a pressão hoje sobre os mananciais de Curitiba têm origem históricas, no processo desordenado de ocupação da cidade. É uma situação grave e mais difícil de resolver. Cabe ao poder publico ver alternativas de onde crescer e ser rígido com isso. Não tem como ficar negociando esse tipo de situação, mas não é o que se observa”, analisa.
Para o diretor de Recursos Hídricos e Atmosféricos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Eduardo Gobbi, o passivo ambiental ainda é muito grande na região metropolitana. “Em 1992, quando houve o Prosam, primeiro grande programa de saneamento da RMC, tínhamos 2 milhões de habitantes. Hoje estamos com 3,4 milhões. Em 20 anos, quase dobramos a população, especialmente nas áreas de baixa renda”, observa.
Em relação a políticas públicas para a proteção dos mananciais, Gobbi explica que ocorreram avanços, sobretudo na legislação. Ele destaca, por exemplo, o surgimento do Estatuto das Cidades, que obrigou os municípios a criar planos diretores e, desta forma, orientar o crescimento urbano, identificando áreas a serem preservadas.
No caso da RMC, Gobbi acredita que os comitês de bacias – com a participação diversos setores da sociedade – são os melhores instrumentos para orientar e fiscalizar a proteção dos mananciais.
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