Aniele Nascimento/Agência de Notícias Gazeta do Povo Nascentes do Rio Iguaçu em Piraquara: motivos para salvar os mananciais
ESPECIAL: ÁGUAS DO AMANHÃ #5

Expansão imobiliária gera preocupação

Chegada de supercondomínios e outros grandes empreendimentos, residenciais e comerciais, pressionam a oferta de água e serviço de esgoto 04/06/2011 15:30:06 JOÃO RODRIGO MARONI

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Ambientalista pede novas políticas

A jornalista e ambientalista Teresa Urban, que já coordenou projetos de preservação na bacia do Alto Iguaçu, acredita que ainda é possível recuperar alguns mananciais. Veja trechos da entrevista.


Por que chegamos a esta situação?

Teresa Urban: Curitiba foi acabando com os próprios mananciais e teve de recorrer aos municípios vizinhos, justamente onde estão as populações de baixa renda.


A tendência é que a água fique mais cara?

A lógica de mercado diz que o raro é caro. Aí é que reside o perigo: selecionar quem vai ter ou não essa água. Acho que ainda temos a possibilidade de melhorar os cuidados com os mananciais e recuperar algumas bacias em Curitiba e em áreas menos adensadas.


Estamos longe de solucionar o problema?

Enquanto não houver um compartilhamento de bens, será difícil. Para os municípios que têm limitações ao desenvolvimento, por terem mananciais, não há vantagens econômicas (em preservar).


O adensamento urbano é o grande vilão?

Por que a população busca os centros urbanos? Você vai ver que a carência de serviços básicos e renda nas cidades pequenas induz as pessoas a isso. Por outro lado, vende-se a imagem de uma Curitiba com oferta de serviços e empregos. Mas a cidade tem de ter critérios, impor limites no planejamento. Senão você estará expandindo o problema, que vai significar escassez de água. Em escala global, já temos falta de água.

Não é só o crescimento populacional da região metropolitana de Curitiba que pressiona os mananciais. A expansão imobiliária é outro fator agravante no Alto Iguaçu, onde a chegada de supercondomínios e outros novos empreendimentos – residenciais e comerciais – vão fazer a demanda por água tratada e coleta esgoto aumentar ainda mais. “O padrão social das pessoas é um fator bastante negativo nesse sentido. Uma família que ganha pouco, passa com 10 m3 de água por mês. Quando ela melhora sua situação econômica, passa a consumir 20 m3. Mas ninguém nega que a população precisa e vai crescer”, pontua o engenheiro Celso Luis Tomas, da Sanepar.

Dados da própria companhia revelam que nos bairros mais ricos de Curitiba, por exemplo, o consumo médio de água per capita é mais alto que nos bairros periféricos. De janeiro até agora, a Sanepar recebeu cerca de 400 novas consultas de água e esgoto por parte de empreendimentos imobiliários em Curitiba – sem contar os imóveis residenciais simples. A implantação de um supercondomínio, por exemplo, pode exigir mudanças na infraestrutura de saneamento de toda uma região da cidade.

Qualidade

O gráfico ao lado traz um resumo da qualidade de água em alguns dos principais rios do Alto Iguaçu. Alguns, são rios que fornecem água para o abastecimento. Segundo dados do Instituto Ambiental do Paraná, de 2009, a qualidade da maioria dos rios da bacia deixa a desejar.

De acordo com o levantamento técnico feito por Ana Sylvia Zeny e Cecile Miers, nenhuma das estações de medição de água apresentou valores satisfatórios nos últimos sete anos. Entre os destaques negativos estão pontos do Rio Barigui, em Curitiba, do Pequeno, em São José dos Pinhais, do Palmital, em Pinhais, do Do Meio, em Piraquara, e do próprio Rio Iguaçu.

Apesar disso, segundo as especialistas, houve uma melhora na média de qualidade dos rios da região nos últimos anos graças à ampliação da coleta de esgotos, o que impacta diretamente na saúde da bacia hidrográfica.

 

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