Jonathan Campos/Agência de Notícias Gazeta do Povo Trecho onde o Rio Belém, que passa pelo Centro de Curitiba, encontra o Rio Iguaçu: contaminação por lixo e esgotos é o maior problema dos rios na região metropolitana
RECURSOS HÍDRICOS

Indicador revela riscos ambientais no Alto Iguaçu

Estudo inédito que avalia situação na principal bacia hidrográfica do Paraná encerra a primeira fase do projeto Águas do Amanhã 27/09/2011 15:40:22 JOÃO RODRIGO MARONI

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LINHA DO TEMPO

22 de março de 2010
Em pleno Dia Mundial da Água, ocorre o pré-lançamento do Águas do Amanhã, cujo objetivo é chamar a atenção da sociedade paranaense para a degradação ambiental do Alto Iguaçu.

30 de maio
Publicado na Gazeta do Povo o primeiro de cinco suplementos especiais Águas do Amanhã. O encarte apresenta o projeto, mostra a geografia do Rio Iguaçu e as condições atuais da bacia hidrográfica. A data marca também o início da campanha de mídia e a estreia do site www.aguasdoamanha.com.br.

4 de agosto
Acontece o primeiro fórum Águas do Amanhã, reunindo representantes do poder público para debater problemas e apontar soluções para o Iguaçu.

19 de setembro
Publicado o segundo suplemento especial, que destaca a situação do Guarituba, região de mananciais em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, onde um grande projeto integrado de regularização fundiária tenta mudar o perfil de degradação socioambiental no local.

13 de fevereiro de 2011
Com foco em boas ações de responsabilidade socioambiental promovida por ONGs, empresas, universidades e cidadãos em geral, o terceiro suplemento Águas do Amanhã mostra que é possível mudar as condições de nossos rios. No dia seguinte, 14 de fevereiro, estreia o novo site do projeto.

22 de fevereiro
Acontece o segundo fórum Águas do Amanhã, reunindo representantes do setor produtivo para falar de suas perspectivas e das ações desenvolvidas pelo comércio, indústria e agropecuária para atenuar a poluição no Iguaçu.

22 de março
O terceiro fórum Águas do Amanhã reúne, no Parque Barigui, em Curitiba, ambientalistas, associações comunitárias e demais representantes da sociedade civil. Na ocasião, o público pôde trocar ideias, propor soluções e cobrar diretamente as autoridades presentes no evento.

9 a 15 de abril
Jornalistas da Gazeta do Povo e da RPC TV, acompanhados de técnicos da UFPR, embarcam em uma expedição pelo Rio Iguaçu. A intenção é revelar os contrastes do mais importante rio do Paraná, seus personagens e medir a qualidade das águas. O público acompanhou a jornada diariamente pela internet e pela tevê.

30 de abril
O quarto suplemento impresso faz um grande resumo da expedição e revela os resultados completos da análise de água nos principais trechos do Iguaçu, entre Curitiba e Foz.

5 de junho
Em parceria com a prefeitura de Curitiba, o projeto promove, no Parque Barigui, ações de educação ambiental, incluindo a confecção de obras de arte a partir do lixo retirado dos rios e oficinas para a garotada. Na mesma data é publicado o quinto e último suplemento especial Águas do Amanhã, que revela dados sobre a situação dos principais parâmetros ambientais da bacia, como índices de tratamento de esgoto, as condições das matas ciliares e a localização das principais áreas com risco de alagamentos, entre outros.

11 de agosto
O projeto Águas do Amanhã recebe o prêmio da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção Paraná (Abes-PR), na categoria Instituição Privada, por sua contribuição em prol dos recursos hídricos no estado.

27 de setembro
Um estudo técnico, com base em dados oficiais e que elabora um indicador dos riscos ambientais na região, é entregue à sociedade. O relatório marca o fim da primeira fase do projeto.

Após 18 meses de intensa discussão dos problemas e soluções para a degradação ambiental do Alto Iguaçu, na região metropolitana de Curitiba, o projeto Águas do Amanhã, do Grupo Paranaense de Comunicação, encerra a primeira fase de atividades com a publicação de um estudo técnico exclusivo, que revela os principais riscos ambientais decorrentes da ocupação desordenada e da má gestão dos recursos hídricos na principal bacia hidrográfica do Paraná.

O relatório Um olhar crítico sobre a bacia hidrográfica do Alto Iguaçu, apresentado ontem em um evento no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, converte parâmetros ambientais – como coleta de esgoto e áreas sujeitas a inundações, entre outros – em um único indicador, capaz de servir como termômetro para a situação na região. Quanto mais elevado for o indicador, maiores as chances de ocorrerem eventos como alagamentos, desmoronamento de margens e surtos de doenças.

Incompletos

Ao todo, 17 parâmetros foram avaliados, mas apenas sete puderam ser utilizados na composição do índice. Isso porque muitos dados oficiais estavam incompletos, imprecisos ou não tinham base tecnicamente comparável. “Fizemos milagre com o que tínhamos à disposição. Mas o retrato que conseguimos obter foi consenso entre os órgãos governamentais”, esclarece Cecile Miers, arquiteta urbanista da ArchGeo, empresa responsável pelo estudo encomendado pelo Águas.

Para compor o índice, parâmetros como coleta de esgoto receberam peso maior, por representarem impacto direto nas condições da bacia. “Trata-se de uma análise nossa. Todo estudo ambiental é subjetivo, pois não existe um padrão. Por isso ele é comparativo e subjetivo”, reitera a engenheira civil Ana Sylvia Zeny, coautora do relatório. Alguns dos dados do relatório foram antecipados no quinto suplemento especial Águas do Amanhã, publicado em 5 de junho na Gazeta do Povo.

Comparativo

Para Antonio Ostrensky, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador técnico do Águas do Amanhã, o estudo pode servir como um parâmetro comparativo para se avaliar as condições da bacia nos próximos anos, desde que se aplique a mesma metodologia. “Podemos saber se melhorou e inclusive se os governos estão fazendo alguma coisa para resolver o problema”, explica. Investir na coleta e tratamento, segundo ele, deve ser prioridade. “O que vai mudar substancialmente o perfil da região é resolver a questão das ocupações irregulares e do saneamento básico. O indicador sozinho não resolve. É preciso tomar uma ação efetiva com base nele”, esclarece. Para o especialista, tal qual um câncer, quanto mais cedo o problema começar a ser tratado, maiores são as chances de “cura”.

Na opinião do diretor de Recursos Hídricos e Atmosféricos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Eduardo Gobbi, que coordenou inicialmente o Águas do Amanhã, o principal legado da iniciativa foi expor de forma explícita os problemas da bacia para o público. “Isso, obviamente, tem implicações. Mexe com o ambiente político, por exemplo”, avalia. Segundo Gobbi, o governo participou sempre que foi chamado, mesmo que de forma desarticulada. “Hoje estamos mobilizados para dar uma resposta.”

 

OBJETIVO

Foco está na mobilização

Mobilizar e sensibilizar a sociedade – através da comunicação – para as consequências da poluição da bacia do Alto Iguaçu, na Grande Curitiba, é o principal objetivo do Águas do Amanhã: programa idealizado pelo Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCom), via Lupaluna Ambiental, e que tem o apoio da Universidade Federal do Paraná, Fundação Roberto Marinho, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação e Agência Nacional de Águas. O projeto tem oferecimento do HSBC e apoio institucional da Prefeitura de Curitiba.

Segundo o Instituto das Águas do Paraná, 80% da carga contaminante do Alto Iguaçu é causada por esgotos domésticos. Trata-se de uma das bacias hidrográficas mais poluídas do país, o que aumenta o risco de doenças na população, ocorrência de alagamentos e a degradação da fauna e da flora, entre outros impactos ambientais. (JRM)

 

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O RELATÓRIO COMPLETO SOBRE A SITUAÇÃO DO ALTO IGUAÇU (Arquivo em formato PDF).

 

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DIAGNÓSTICO

Dos 17 parâmetros estudados, apenas sete puderam ser considerados na composição do indicador final. Cada dado recebeu um peso relativo, conforme o grau de impacto ambiental.