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Diversas autoridades, incluindo vereadores e os secretários municipais de Meio Ambiente de Curitiba e do Paraná, estiveram presentes na cerimônia que marcou o encerramento da etapa inicial – de 18 meses – do projeto Águas do Amanhã, do Grupo Paranaense de Comunicação, que ocorreu na noite do dia 27 de setembro no auditório Poty Lazarotto, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Ao todo, cerca de 250 pessoas compareceram ao evento, que terminou com a promessa do governo do estado de tomar medidas para conter a degradação ambiental na bacia.
Na ocasião, foi apresentado à uma plateia composta também por técnicos ligados às áreas ambiental e de saneamento o relatório Um olhar crítico sobre a bacia hidrográfica do Alto Iguaçu, que traz um indicador dos riscos ambientais da região. O documento foi elaborado a partir de parâmetros oficiais referentes à coleta de esgoto, situação das matas ciliares e áreas de ocupação irregulares, entre outros fatores. “Diagnósticos existem aos montes, mas nenhum que mostre a situação de forma integrada”, resumiu Antonio Ostrensky, coordenador técnico do Águas do Amanhã.
Ele lembrou que 28% da população do Paraná vive sobre a bacia do Alto Iguaçu, que representa menos de 2% do território do estado. Ostrensky falou das dificuldades na elaboração do indicador, pois muitos parâmetros não puderam ser levados em conta, ou por estares em bases não comparáveis tecnicamente, ou imprecisos ou ainda incompletos. O oceanólogo falou ainda da necessidade de as instituição – não só de governo – atuarem de forma mais unida para tentar reverter a degradação ambiental da bacia. "Temos que aproveitar o poder do maior grupo de comunicação do estado, a expertise da universidade e a disposição do atual governo para tentar resolver a questão”, pontuou.
Premiação
O evento também foi marcado pela premiação de estudantes e professores que participaram do Concurso Cultural Águas do Amanhã, cujos trabalhos visavam incentivar a preservação dos recursos hídricos. No saguão do MON, sete esculturas feitas por artistas plásticos curitibanos a partir de lixo retirado dos rios da região foram expostas. Ao mesmo tempo que embelezaram o espaço, os trabalhos tornaram-se um conflite à reflexão sobre a condição de nossos rios e sobre o papel de todos para mudar a situação.
Ana Amélia Filizola, diretora executiva da Gazeta do Povo e vice-presidente do GRPCom, enalteceu a importância das informações contidas no relatório divulgado pelo Águas do Amanhã. “Temos um momento único. O estudo nos mostra que precisamos agir rápido, pois nossos mananciais estão ameaçados. Se continuarmos poluindo nossos rios nos próximos anos, vamos ter escassez de água e os custos disso serão altos”, destacou. Gil Polidoro, diretor-presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) também elogiou a iniciativa do GRPCom. “Acredito que o Águas é mais que um programa de ações, é um movimento em prol do Alto Iguaçu”, pontuou.
Já a secretária de Meio Ambiente de Curitiba, Marilza Dias, representando o prefeito Luciano Ducci, lembrou que 54 toneladas de lixo ao mês são retirados dos nossos rios e ressaltou a importância da população se envolver no tema. “A infraestrutura disponível (100% de cobertura de coleta de lixo e mais de 90% de coleta de esgoto) deveria deixar nossos rios livres de cargas poluentes, mas isso não acontece. Tem que haver boa utilização dessa estrutura por parte da população”, declarou, citando ações da prefeitura para fiscalizar, por exemplo, ligações de esgoto irregulares.
Pacote
Por fim, o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná, Jonel Nazareno Iurk, representando o governador Beto Richa, anunciou um pacote de ações para melhorar os escoamento das águas na bacia do Alto Iguaçu e evitar, por exemplo, a questão dos alagamentos. “Como consequência do Águas do Amanhã, informo que a Secretaria estadual de Meio Ambiente e o Instituto das Águas do Paraná (AguasParaná) vão iniciar um conjunto de medidas que estarão em curso a partir do mês de outubro”, disse Iurk.
Márcio Nunes, presidente do AguasParaná, descreveu o plano de ação, que prevê, entre outras coisas, a ativação do fundo estadual de recursos hídricos – com previsão de caixa de R$ 3,6 milhões, sendo que parte será usado na implantação do Plano de Bacia do Alto Iguaçu. Além disso, R$ 5,7 milhões devem ser investidos imediatamente em obras de drenagem e limpeza dos principais rios da bacia, como o Atuba e o próprio Iguaçu. A contratação de mais técnicos para os órgãos de controle e planejamento ambiental e a reativação de um sistema de monitoramento de enchentes também estão entre as medidas.
